Documentos afirmam que Meta escondeu estudos sobre danos à saúde mental de crianças e adolescentes

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Documentos apresentados à Justiça nos Estados Unidos indicam que a Meta teria interrompido e mantido em sigilo pesquisas internas que apontavam prejuízos à saúde mental de seus usuários mais jovens. O material faz parte de uma ação movida pelo escritório Motley Rice contra Meta, Google, TikTok e Snapchat, protocolada em tribunais de vários distritos escolares do país.

Estudo interno suspenso

Um dos principais pontos do processo refere-se ao Projeto Mercúrio, pesquisa conduzida pela própria Meta. De acordo com os autos, participantes que ficaram uma semana longe do Facebook relataram níveis mais baixos de depressão, ansiedade, solidão e comparação social. Após os resultados, a iniciativa teria sido encerrada e jamais divulgada publicamente.

Em nota divulgada no sábado (23), o porta-voz da companhia, Andy Stone, alegou que o estudo foi abandonado por “metodologia falha” e ressaltou que a Meta investe em segurança nos produtos.

Acusações do processo

Os advogados sustentam que as gigantes de tecnologia:

  • incentivam o acesso de crianças menores de 13 anos às plataformas;
  • não combatem adequadamente conteúdo de abuso sexual infantil;
  • buscam aumentar o tempo de uso entre adolescentes, inclusive durante o horário escolar;
  • financiam entidades voltadas ao público infanto-juvenil para defender publicamente a suposta segurança de seus serviços.

Revelações específicas sobre a Meta

O processo detalha ainda que:

  • era necessário flagrar um usuário 17 vezes tentando traficar pessoas para exploração sexual antes de banimento definitivo, um limite descrito internamente como “muito, muito, muito alto”;
  • ferramentas de proteção a menores foram deliberadamente criadas para ter pouca adoção;
  • a empresa sabia que otimizar produtos para engajamento adolescente aumentava a exposição a conteúdos nocivos, mas manteve essa estratégia;
  • esforços para impedir contato de predadores com menores teriam sido adiados por temores de impacto no crescimento da rede.

Mensagens de Zuckerberg

Segundo os documentos, mensagens de 2021 mostram Mark Zuckerberg afirmando que a segurança infantil não era sua prioridade, pois estava focado em outras frentes, como o metaverso. Solicitações de mais recursos para o tema, feitas por Nick Clegg, então chefe de políticas públicas globais, teriam sido recusadas ou ignoradas.

Próximos passos

A Meta contesta todas as alegações, classificando-as como distorções de seus esforços de proteção a adolescentes e pais. A empresa também solicitou a retirada dos documentos do processo, que será analisado em audiência marcada para 26 de janeiro no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia.

Com informações de WizyThec

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