Cientistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, trabalham em um sistema de armazenamento de dados chamado “memória 5D”, gravado em vidro de sílica fundido. A proposta combina alta densidade, durabilidade estimada em 13,8 bilhões de anos e retenção de informações sem consumo de energia.
Como funciona
Os dados são inscritos no vidro por pulsos de laser de femtossegundo, criando minúsculos voxels — pequenos “pixels” tridimensionais. Cada voxel registra informação em cinco dimensões (coordenadas x, y e z, além de propriedades ópticas de refração), o que origina o nome 5D. A leitura é feita por luz polarizada que interpreta as alterações no material.
Capacidade e resistência
Um disco de vidro de cinco polegadas comporta até 360 TB, superando largamente discos rígidos, fitas magnéticas e SSDs atuais. O material tolera temperaturas de até 190 °C, radiação, campos eletromagnéticos extremos e umidade, desde que não haja dano físico direto ao disco.
Comercialização
A SPhotonix, fundada em 2024 para levar a tecnologia ao mercado, recebeu em novembro um aporte de US$ 4,5 milhões (cerca de R$ 24,3 milhões) para avançar no desenvolvimento. Segundo o cofundador Ilya Kazansky, protótipos devem começar a ser testados em data centers de grande porte dentro de dois anos.
Hoje, a velocidade de gravação é de 4 Mbps e a de leitura, 30 Mbps. A meta é atingir 500 Mbps combinados, índice que colocaria o sistema em pé de igualdade com soluções de backup em fita. O foco inicial é o chamado “armazenamento frio”, adequado para dados que podem esperar dez segundos ou mais para serem acessados — segmento que representa entre 60% e 80% das informações guardadas no mundo, segundo o executivo.
Imagem: Snix
Custos e próximos passos
A empresa projeta preço inicial de cerca de US$ 6 mil (R$ 32,4 mil) para o dispositivo de leitura e US$ 30 mil (R$ 162,4 mil) para o de gravação. Kazansky calcula que serão necessários de três a quatro anos adicionais de pesquisa para chegar à produção em escala e a um patamar economicamente viável.
Nos próximos meses, a SPhotonix planeja contratar um ex-pesquisador da Microsoft que atuou no projeto semelhante Project Silica. A companhia pretende operar como licenciadora da tecnologia, formando um consórcio de parceiros para fabricação e distribuição.
Com informações de WizyThec

