Washington, EUA – A NASA e a Lockheed Martin iniciaram discussões para embarcar a espaçonave tripulada Orion em veículos de lançamento distintos do Space Launch System (SLS), rompendo uma associação operacional que dura quase 20 anos.
Modelo “serviço Orion”
Anthony Byers, diretor de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Lockheed Martin, declarou que a companhia está pronta para oferecer missões com a Orion sob formato de serviço completo. “Nossa mensagem é que apoiamos totalmente isso e já começamos essa conversa”, afirmou.
Desde que o Congresso americano determinou a criação do SLS, há cerca de 15 anos, a cápsula Orion e o foguete vêm sendo tratados como um sistema único, com a agência espacial pagando os veículos em contratos de custo acrescido e supervisionando toda a produção.
Orçamento pressiona mudança
A proposta orçamentária dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2026 recomenda encerrar o financiamento de Orion e SLS após a missão Artemis III. O Congresso, porém, sugeriu estender os voos até a Artemis V.
De acordo com Byers, o cenário indica que a NASA deverá migrar para uma modalidade comercial de transporte, nos moldes dos programas de carga e tripulação já operados em órbita baixa.
Alternativas ao SLS
Com custo estimado acima de US$ 2 bilhões por lançamento, o SLS enfrenta dificuldade de atrair clientes. A tentativa de Boeing e Northrop Grumman de comercializar o foguete, por meio da joint venture Deep Space Transport criada em 2022, não avançou e não rendeu contratos.
Kirk Shireman, vice-presidente e gerente do programa Orion na Lockheed, afirmou que a cápsula, com 35 toneladas de massa de lançamento, pode chegar à órbita lunar em outros foguetes de grande porte ou por meio de missões combinadas, nas quais um veículo leve a nave ao espaço e outro forneça a inserção translunar. “Sabemos que é possível, mas ainda faltam estudos detalhados sobre vibração, acústica e cargas térmicas”, disse.
Reutilização para cortar custos
Para reduzir despesas, a Lockheed aposta no reaproveitamento de componentes. Inicialmente, a NASA pretendia desmontar as naves e reutilizar apenas peças internas; porém, após o sucesso de cápsulas como a Dragon, da SpaceX, a ideia mudou.
Imagem: Lockheed Martin
Howard Hu, gerente do programa Orion na NASA, explicou que a estratégia avança em etapas: “Estamos tentando engatinhar, depois andar e então correr em nossa abordagem de reutilização”. A previsão atual é:
- Artemis II, III e IV – cápsulas novas com peças reaproveitadas;
- Artemis V – cerca de 250 componentes herdados da Artemis II;
- Artemis VI – até 3 mil peças reutilizadas, incluindo estruturas primárias e secundárias.
A companhia pretende manter uma frota de três cápsulas amplamente reutilizáveis. O módulo de serviço, construído pela Airbus, continuará descartado antes da reentrada, e elementos como o escudo térmico são consumidos, limitando a reutilização total.
Metas de economia e cronograma
A Lockheed projeta cortar pela metade o custo de produção da Orion entre as missões Artemis II e V e reduzir mais 30% nas campanhas seguintes, exigindo reformas menores.
A primeira tripulação deve voar a bordo da Orion em 2026. Analistas consideram que ainda levará anos para alternativas como a Starship, da SpaceX, ou veículos da Blue Origin estarem prontas para substituir a cápsula da NASA.
Com informações de WizyThec

