A fabricante italiana de defesa Leonardo apresentou o Domo Michelangelo, sistema de proteção baseado em inteligência artificial projetado para resguardar cidades e infraestruturas críticas na Europa. A companhia prevê que a solução esteja totalmente operacional até o fim desta década.
Como funciona
O Domo Michelangelo integra sensores, plataformas de comando e controle e interceptadores capazes de detectar e neutralizar ameaças vindas do ar ou do mar, incluindo mísseis e enxames de drones. Construído em arquitetura aberta, o sistema foi concebido para interoperar com redes de defesa de diferentes países, facilitando futuras atualizações.
No anúncio, o diretor-presidente da Leonardo, Roberto Cingolani, afirmou que “em um mundo onde as ameaças evoluem rapidamente e se tornam mais complexas, a defesa precisa inovar, antecipar e adotar a cooperação internacional”.
Contexto geopolítico e investimentos
O lançamento ocorre em meio ao aumento dos gastos militares no continente. Desde janeiro de 2025, as ações da Leonardo valorizam cerca de 77%. No mesmo período, a britânica BAE Systems subiu 42,7%, a alemã Rheinmetall avançou 148,9% e a francesa Thales cresceu 63,8%.
Em maio, a União Europeia anunciou programa de €150 bilhões em empréstimos de longo prazo para aquisição de equipamentos e expansão industrial. Já em junho, os países da OTAN reforçaram metas para ampliar os gastos com defesa e segurança até 2035.
Interoperabilidade ainda é desafio
Embora novas soluções surjam, a integração entre diferentes plataformas militares continua limitada. O presidente da Airbus, Guillaume Faury, estima que a criação de um “campo de batalha digital” europeu possa levar até uma década devido a protocolos de troca de dados ainda restritos.
Imagem: Andy Dean graphy
A analista da Morningstar, Loredana Muharremi, observa que a guerra moderna “é vencida pela rede que integra todas as plataformas em um único ciclo de decisão”.
Riscos e concorrência
Entre os fatores que podem retardar a adoção do Domo Michelangelo estão eventuais atrasos de execução e a dependência dos ciclos de compras governamentais, segundo Meghan Welch, da Brown Gibbons Lang & Company.
O setor também passa pela entrada de startups especializadas em tecnologias autônomas. A alemã Helsing captou €600 milhões, dobrando sua avaliação para €12 bilhões, enquanto a Quantum Systems triplicou seu valor de mercado para mais de €3 bilhões após levantar €180 milhões.
Com informações de WizyThec

