A missão InSight, da NASA, confirmou que Marte não é um planeta geologicamente inerte. Entre novembro de 2018 e dezembro de 2022, a sonda detectou mais de 1.300 abalos sísmicos — os chamados martemotos —, incluindo o tremor mais intenso já observado no planeta, de magnitude 5, registrado em 2022.
Programa ao vivo destacou descobertas
As informações foram apresentadas na última edição do Programa Olhar Espacial, transmitido ao vivo na sexta-feira (10) às 21h pelo canal do WizyThec no YouTube. O divulgador científico Alexsandro Mota, astrofotógrafo e criador do projeto Mistérios do Espaço, comentou os principais resultados ao lado do astrônomo e apresentador Marcelo Zurita.
Como a sonda estudou o subsolo marciano
Lançada após uma viagem de seis meses, a InSight pousou em Elysium Planitia em novembro de 2018. O módulo foi equipado com sismômetros extremamente sensíveis capazes de registrar vibrações mínimas. De acordo com Zurita, a detecção de um abalo de magnitude 5 surpreendeu os pesquisadores, pois tremores dessa intensidade são considerados moderados na Terra, mas inesperados no Planeta Vermelho.
A origem desses martemotos ainda é debatida. Os cientistas avaliam se há material derretido no interior do planeta ou se os tremores resultam da contração da crosta conforme Marte esfria.
Núcleo menor e mais denso
Pelos dados sísmicos, a equipe estimou que o núcleo marciano tem raio entre 1.810 e 1.860 quilômetros — aproximadamente metade do terrestre —, porém apresenta maior densidade.
Impactos de meteoritos captados em áudio
Além da atividade interna, a InSight registrou choques de meteoritos. Em 24 de dezembro de 2021, um tremor de magnitude 4 foi atribuído a um objeto de 5 a 12 metros de diâmetro que atingiu a região Amazonis Planitia, formando uma cratera de cerca de 150 metros de diâmetro e 21 metros de profundidade. O material ejetado se espalhou por até 37 quilômetros.
Imagem: NASA
A confirmação veio de uma análise conjunta entre a InSight e o satélite Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), que localizou a cratera a partir da órbita — a primeira colaboração desse tipo entre um orbitador e um módulo de superfície em Marte.
Fim da missão
Após quatro anos e um mês de operação, a InSight foi encerrada em dezembro de 2022. A gradual cobertura dos painéis solares por poeira reduziu a geração de energia. Em janeiro daquele ano, uma grande tempestade agravou a situação e acionou o modo de segurança. Mesmo com tentativas de limpar as placas por meio de impulsos de um braço robótico, a eletricidade acabou e a sonda foi desligada definitivamente.
Com a coleta de mais de mil eventos sísmicos e dados inéditos sobre a estrutura interna, a missão deixou um legado que ainda será analisado por pesquisadores nos próximos anos.
Com informações de WizyThec

