Uma investigação genética revelou que as iguanas-de-cauda-espinhosa (Ctenosaura sp.) da Ilha Clarion, no México, são nativas do local e não espécies invasoras, como se acreditava. A conclusão cancela planos de erradicação que poderiam ter levado esses répteis à extinção.
Chegada muito antes dos humanos
Segundo o estudo publicado na revista Ecology and Evolution, as iguanas divergiram de seus parentes continentais há aproximadamente 425 mil anos, bem antes da presença humana nas Américas, estimada em 26 mil anos. A equipe liderada por Daniel G. Mulcahy, do Museum für Naturkunde Berlin, indica que os animais alcançaram a ilha por meios naturais, possivelmente à deriva em troncos ou vegetação levada pelas correntes.
Ilha isolada e ecossistema único
Clarion fica a cerca de 700 quilômetros da costa oeste do México e é a porção mais antiga do arquipélago Revillagigedo, formado por atividade vulcânica há 5 milhões de anos. Por nunca ter sido ligada ao continente, abriga fauna e flora comparadas às das Ilhas Galápagos e do Havaí.
Erro motivado por mamíferos introduzidos
O equívoco sobre a origem das iguanas começou após a introdução de ovelhas, porcos e coelhos, que devastaram a vegetação nativa. Com menos plantas, os répteis ficaram mais visíveis e foram apontados como responsáveis pelo desequilíbrio, sendo classificados como invasores e alvo de um programa de controle.
Imagem: Charles J. Sharp
A análise de DNA corrigiu a interpretação: as iguanas apenas resistiram às mudanças provocadas pelos mamíferos exóticos. A descoberta reforça a necessidade de estudos genéticos antes da adoção de medidas de manejo que podem ameaçar espécies nativas.
Com informações de WizyThec

