O corpo humano funciona normalmente entre 36,5 °C e 37,5 °C. Quando esse intervalo é superado e o organismo não consegue dissipar o calor gerado interna ou externamente, instala-se a hipertermia, condição que pode levar à falência de órgãos e morte se não houver intervenção rápida.
O que é hipertermia
Ao contrário da febre – reação controlada do organismo diante de infecções –, a hipertermia é provocada por fatores externos, como calor excessivo ou esforço físico intenso. Nesse cenário, o sistema de regulação térmica entra em colapso e a temperatura passa a subir de forma descontrolada.
Causas mais frequentes
Exposição prolongada ao calor: ambientes quentes e mal ventilados favorecem o aumento da temperatura, situação comum em ondas de calor agravadas pelas mudanças climáticas.
Atividade física intensa: atletas, militares e trabalhadores rurais ou da construção civil produzem mais calor do que o corpo consegue eliminar.
Roupas inadequadas: peças pesadas ou sintéticas atrapalham a transpiração e impedem o resfriamento natural.
Condições médicas e medicamentos: diuréticos, antidepressivos e algumas doenças crônicas reduzem a capacidade de transpiração.
Ambientes fechados: carros ou salas sem ventilação expõem, sobretudo crianças e idosos, a risco elevado.
Sintomas e estágios
A hipertermia progride em três níveis:
Cãibras de calor: perda de sais minerais gera dores musculares em pernas, braços e abdômen.
Esgotamento pelo calor: suor excessivo, fraqueza, tontura, náusea, dor de cabeça e queda de pressão indicam sobrecarga corporal.
Golpe de calor: temperatura acima de 40 °C, ausência de suor, confusão mental, convulsões e risco de falência de órgãos configuram emergência médica.
Imagem: Danilo Oliveira
Sinais de alerta incluem sudorese intensa (ou ausência dela nos casos graves), pele muito quente, náusea, vômito, batimentos acelerados e respiração rápida.
Febre x hipertermia
Na febre, o hipotálamo eleva a temperatura de forma deliberada para combater micro-organismos, processo que cede a antitérmicos como paracetamol. Já a hipertermia não responde a medicamentos; o único tratamento eficaz é o resfriamento físico imediato aliado à hidratação.
Quem corre mais risco
Idosos, crianças, portadores de doenças crônicas, atletas, militares e trabalhadores expostos ao sol formam os grupos mais vulneráveis.
Primeiros socorros
• Levar a pessoa para local fresco e ventilado;
• Oferecer água ou bebidas isotônicas;
• Aplicar compressas frias ou proporcionar banho frio;
• Afrouxar roupas apertadas;
• Manter pernas ligeiramente elevadas;
• Acionar serviço médico diante de confusão mental ou perda de consciência.
Como prevenir
Hidratação constante, roupas leves, evitar sol entre 10h e 16h, pausas durante atividades ao ar livre e jamais deixar crianças ou animais em veículos fechados são medidas básicas de prevenção.
Casos recentes
• Um atleta de 16 anos entrou em colapso durante treino de verão, atingiu temperatura crítica e sobreviveu após resfriamento rápido, conforme relato da Mayo Clinic.
• A onda de calor de 2021 no oeste da América do Norte matou 569 pessoas na província canadense de British Columbia, muitas por hipertermia.
• No mesmo ano, Juliana Leon, nos Estados Unidos, morreu após ser encontrada em um carro sem ar-condicionado sob 42 °C; a família processou empresas de petróleo e gás, alegando agravamento climático.
Com o aumento das temperaturas globais, especialistas alertam que episódios de hipertermia tendem a se tornar mais frequentes, exigindo preparo de governos, empresas e serviços de saúde.
Com informações de Olhar Digital

