O Ministério das Comunicações enviou ao Senado Federal a proposta de cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para contratar empréstimo de US$ 100 milhões (cerca de R$ 538 milhões) destinado a expandir a conectividade digital em municípios brasileiros com menos de 30 mil habitantes.
O financiamento integra o programa Acessa Crédito Telecom, lançado em setembro, que busca fortalecer pequenos e médios provedores de internet responsáveis pela maior parte do mercado de banda larga no interior do país. Segundo o especialista do BID Luis Guillermo Alarcón, esses provedores detêm mais de 90% da participação nesses locais.
Prioridade a comunidades quilombolas e indígenas
A iniciativa prevê priorizar comunidades quilombolas e indígenas e deve beneficiar aproximadamente 2,5 milhões de pessoas. Os recursos serão distribuídos em duas frentes:
- Crédito para infraestrutura: linhas especiais para que os provedores invistam em redes e equipamentos;
- Sistema de TI: plataforma que reduzirá assimetrias entre provedores e instituições financeiras, facilitando o acesso aos financiamentos.
Com o empréstimo já aprovado pelo BID, será criado um mecanismo garantidor vinculado ao Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Dessa forma, empreendedores que hoje não atendem às exigências de garantia dos bancos poderão solicitar crédito usando recursos do próprio fundo, que recebe contribuições das empresas do setor.
“A ideia é facilitar o trabalho dos pequenos provedores, que conhecem as áreas mais distantes e ainda carentes de conexão, para que tenham financiamento e executem um bom serviço”, explicou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Imagem: LeoMerc
Cenário de conectividade no Brasil
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostram que a internet estava presente em 93,6% dos domicílios permanentes do país em 2024, avanço de 1,1 ponto percentual em relação a 2023. Nas áreas rurais, o ritmo de crescimento é maior, reduzindo a diferença para as regiões urbanas de 40 pontos percentuais em 2016 para 9,9 pontos em 2024.
Entre os 5,1 milhões de lares ainda sem acesso, os principais motivos apontados foram falta de habilidade para usar a rede (32,6%), custo elevado do serviço (27,6%) e ausência de necessidade (26,7%). No campo, 12,1% dos domicílios sem internet citaram a indisponibilidade do serviço na localidade.
Com informações de WizyThec

