Governo apresenta plataforma nacional de autoexclusão para apostas on-line

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O Ministério da Fazenda anunciou nesta quarta-feira (3) a criação de uma plataforma nacional de autoexclusão que permitirá a qualquer cidadão bloquear o próprio acesso a sites de apostas e suspender o recebimento de publicidade do setor por prazo determinado. O serviço começa a funcionar em 10 de dezembro.

Atualmente, as operadoras já precisam oferecer ferramentas próprias de bloqueio, mas, segundo o secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, a medida isolada não era suficiente. O novo sistema cria um cadastro único, vinculado ao login gov.br, válido automaticamente para todas as casas autorizadas a operar no país.

Como vai funcionar

A autoexclusão poderá ser solicitada em quatro etapas:

1. Acesso com conta gov.br níveis prata ou ouro;
2. Escolha do período de bloqueio — um, três, seis ou 12 meses, ou por tempo indeterminado;
3. Indicação do motivo;
4. Confirmação eletrônica.

Durante o intervalo selecionado, o usuário ficará impedido de abrir contas, depositar valores, apostar e receber publicidade segmentada de operadoras legalizadas. A iniciativa complementa o bloqueio já existente a beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), determinado pelo Supremo Tribunal Federal.

Parceria com o Ministério da Saúde

O anúncio ocorreu durante a assinatura de um acordo de cooperação técnica de cinco anos entre os ministérios da Fazenda e da Saúde para integrar políticas de prevenção a transtornos relacionados ao jogo. O plano engloba:

  • Criação do Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas;
  • Oferta de teleatendimento em parceria com o Hospital Sírio-Libanês a partir de fevereiro de 2026, com 450 consultas mensais e possibilidade de expansão;
  • Capacitação de equipes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS);
  • Lançamento de autoteste de saúde mental por WhatsApp, Ouvidoria do SUS (136) e aplicativo Meu SUS Digital.

Dados do governo indicam crescimento nos atendimentos por transtorno do jogo no SUS: foram 2.262 em 2023, 3.490 em 2024 e 1.951 apenas no primeiro semestre de 2025.

Regulamentação do setor

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, apesar da autorização das bets em 2018, as regras só avançaram a partir de 2023. Até julho de 2024, nove portarias definiram normas sobre meios de pagamento, combate à lavagem de dinheiro, publicidade, autorização de empresas e fiscalização.

Entre as exigências já em vigor estão a proibição de uso de cartão de crédito em apostas, cadastro com CPF e reconhecimento facial, domínio .bet.br obrigatório para operadoras autorizadas, monitoramento de campanhas pelo Conar e derrubada de sites ilegais em parceria com a Anatel.

O governo também mantém 13 acordos de cooperação com entidades públicas e privadas, incluindo Febraban, Anatel, organizações de integridade esportiva e instituições financeiras, para reforçar a fiscalização e a proteção aos consumidores.

Com informações de WizyThec

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