Google retira resumos de IA sobre exames de saúde após série de orientações perigosas

Date:

São Francisco (EUA) — O Google decidiu suspender a exibição de resumos gerados por inteligência artificial (IA) em pesquisas sobre exames laboratoriais. A medida foi adotada depois que uma investigação do jornal The Guardian identificou recomendações médicas incorretas e potencialmente nocivas apresentadas pelo recurso chamado “visão geral da IA”.

Erros que alarmaram especialistas

De acordo com o levantamento, o sistema ignorava variáveis clínicas essenciais, como idade, sexo e etnia, ao interpretar resultados de exames de sangue. Sem esse contexto, valores aparentemente normais podiam ocultar doenças hepáticas graves em determinados perfis de pacientes, oferecendo falsa sensação de segurança.

Entre os exemplos mais críticos, a ferramenta aconselhou pessoas com câncer de pâncreas a evitar alimentos gordurosos — orientação oposta às diretrizes médicas, que recomendam alto aporte calórico para manter a força durante quimioterapia ou cirurgias. Em outra falha, sugeriu o exame de Papanicolau para detecção de câncer vaginal, indicação tecnicamente incorreta que poderia atrasar diagnósticos precisos.

A plataforma também deu conselhos considerados prejudiciais sobre saúde mental, reforçando estigmas em temas como psicose e distúrbios alimentares.

Resposta do Google e críticas do setor

Em nota, a empresa afirmou que “a maioria dos resumos é útil” e que toma providências quando a IA interpreta mal informações da web. Organizações de saúde, porém, criticam a estratégia de retirar apenas termos específicos das buscas, argumentando que a solução não resolve problemas sistêmicos do modelo.

Embora a remoção cubra consultas envolvendo exames laboratoriais, variações de termos técnicos ainda podem acionar automaticamente os resumos em certas pesquisas, informou o The Guardian.

Movimento de concorrentes

Enquanto o Google enfrenta questionamentos sobre precisão, a Anthropic lançou o Claude for Healthcare, baseado no modelo Opus 4.5. O serviço, voltado a médicos e pesquisadores, integra bases oficiais como o banco de dados do Medicare e o sistema CID-10 para agilizar análise de prontuários, diretrizes clínicas e documentação regulatória.

Já a OpenAI apresentou o ChatGPT Health, hub que permite ao usuário acompanhar histórico de bem-estar de forma privada. Avaliado pelo framework HealthBench, o recurso utiliza dados de dispositivos vestíveis — como Apple Watch — para fornecer informações sobre sono e atividade física, sempre com o aviso de que não substitui diagnóstico profissional.

A retirada dos resumos pelo Google reflete um ajuste na oferta de informações médicas em plataformas abertas, enquanto soluções mais especializadas buscam atender profissionais de saúde e consumidores com requisitos de segurança reforçados.

Com informações de WizyThec

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhar postagem:

Popular

Relacionados

Projetor portátil BYINTEK U4 entra em promoção na Amazon com resolução Full HD e Android integrado

O projetor portátil BYINTEK U4 está com preço promocional...

Banco de dados expõe 149 milhões de senhas de Gmail, Instagram e gov.br

Um banco de dados sem qualquer proteção revelou 149...

Lua entra em fase Nova nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A Lua apresenta-se em fase Nova nesta quinta-feira (22),...

Receita Federal oferece iPhone 15 a partir de R$ 1,3 mil em leilão online

A Receita Federal vai leiloar 289 lotes de produtos...