O Google anunciou, em 22 de outubro de 2025, o desenvolvimento de um algoritmo batizado de Quantum Echoes, capaz de realizar cálculos 13 mil vezes mais rápido do que programas equivalentes executados nos mais potentes supercomputadores tradicionais.
O trabalho, detalhado em artigo publicado na revista Nature, foi conduzido no laboratório da companhia em Santa Bárbara, Califórnia (EUA). A equipe inclui o físico Michel H. Devoret, laureado com o Nobel de Física deste ano, que se juntou ao Google em 2023.
Potencial científico e técnico
Segundo Devoret, o resultado demonstra um passo decisivo rumo ao uso prático da computação quântica. “Quando tivermos máquinas maiores, poderemos executar tarefas impossíveis para algoritmos clássicos”, afirmou o pesquisador.
A professora Prineha Narang, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, destacou ao The New York Times que o avanço mostra a evolução dos algoritmos na mesma velocidade dos componentes de hardware: “Temíamos que o software ficasse para trás, mas isso não aconteceu”.
Disputa global pelo domínio quântico
A corrida por liderança na área envolve empresas como Microsoft e IBM, além de startups, universidades e programas governamentais. A China, por exemplo, já investiu mais de US$ 15,2 bilhões (cerca de R$ 82 bilhões) em projetos quânticos.
Diferença entre bits e qubits
Computadores clássicos operam com bits, representados por 0 ou 1. Sistemas quânticos usam qubits, que podem assumir ambos os valores simultaneamente, o que aumenta exponencialmente a capacidade de processamento conforme o número de qubits cresce.
Histórico de conquistas
Na década de 1980, Devoret, ao lado de John M. Martinis e John Clarke, mostrou que propriedades quânticas poderiam ser observadas em circuitos elétricos visíveis a olho nu, abrindo caminho para os qubits supercondutores empregados atualmente.
Apesar dos progressos, computadores quânticos ainda apresentam altos índices de erro. Técnicas recentes de correção, contudo, alimentam a expectativa de atingir utilidade prática até o fim desta década.
Supremacia e utilidade quântica
Em 2023, o Google completou um cálculo em menos de cinco minutos que, segundo estimativas, levaria dez septilhões de anos em um supercomputador clássico — resultado classificado como “supremacia quântica”. A próxima meta é alcançar a utilidade quântica, quando essas máquinas superarem os sistemas tradicionais em problemas de relevância real, como simulações químicas e aplicações em inteligência artificial.
Aplicações iniciais
Um segundo estudo do Google, disponibilizado no repositório arXiv, indica que o Quantum Echoes pode melhorar técnicas de ressonância magnética nuclear (RMN), método crucial para analisar estruturas moleculares e acelerar o desenvolvimento de medicamentos e materiais avançados.
Para o professor Ashok Ajoy, da Universidade da Califórnia em Berkeley, os resultados mostram “o poder de um computador quântico” mesmo nas fases iniciais de pesquisa.
A empresa continuará aprimorando o algoritmo e o hardware associado, enquanto cientistas do mundo todo buscam reduzir erros e ampliar o número de qubits disponíveis.
Com informações de WizyThec

