O Banco Central (BC) ainda não confirmou oficialmente o destino do Drex, projeto que pretendia criar uma versão digital do real, mas duas reportagens publicadas nesta semana apresentam cenários distintos para a iniciativa. O Valor Investe informa que o BC decidiu encerrar o programa, enquanto a Folha de S. Paulo aponta para um adiamento acompanhado de mudanças de escopo.
Cenário desenhado pelo Valor Investe
De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, o BC comunicou aos consórcios participantes que a infraestrutura do Drex será desligada na próxima semana, encerrando a etapa experimental. O veículo afirma que o término não seria classificado pelos técnicos como fracasso, mas como conclusão de um teste que expôs limites da tecnologia blockchain no ambiente estatal, especialmente quanto à privacidade das transações.
A publicação indica que, após a desativação, o BC deve atuar apenas como regulador, deixando a liderança de eventuais inovações ao mercado. Uma terceira fase de estudos, projetada para 2026, poderia focar na tokenização de ativos, porém sem a estrutura pública original.
Versão apresentada pela Folha de S. Paulo
A Folha relata que o Drex não foi encerrado, mas passará por reorientação. Segundo o coordenador do projeto, Fábio Araújo, a função de pagamento deixou de ser prioridade e o foco migrará para um serviço voltado a registros de garantias de crédito. Obstáculos tecnológicos relacionados à privacidade, segurança e escalabilidade teriam levado ao adiamento, com nova fase prevista para 2026.
O jornal acrescenta que parte da infraestrutura de registro distribuído será desligada na próxima semana, o que pode ter gerado a interpretação de fim. O BC, contudo, pretende concentrar esforços em melhorar a interoperabilidade e a segurança de operações de crédito antes de definir quando o serviço estará disponível ao público.
Imagem: Divulgação
Histórico do projeto
Lançado em 2023, o Drex foi apresentado como moeda digital oficial do país, baseada em blockchain para permitir transações com ativos tokenizados e contratos inteligentes. Desde o início, o projeto enfrentou dificuldades para conciliar transparência e sigilo, além de desafios de escalabilidade e definição de modelo tecnológico.
Até o momento, o Banco Central não comentou as informações divulgadas pelos dois veículos. A indefinição mantém em aberto se o Drex será descontinuado ou apenas remodelado para atender a um escopo mais restrito a partir de 2026.
Com informações de WizyThec

