O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta quarta-feira (29) que o Fundo Amazônia atingiu a marca de R$ 3,4 bilhões liberados para conservação, recuperação e manejo de florestas desde 2023. O montante, considerado recorde pelo banco, reforça a meta brasileira de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, compromisso assumido no Acordo de Paris.
Os recursos chegam ao campo por meio de linhas de crédito, concessões e aportes não reembolsáveis — doações que exigem contrapartidas pactuadas com os beneficiários. Segundo o BNDES, a pauta florestal passou a ser avaliada como economicamente atrativa pelo setor privado, fator que tem impulsionado novos investimentos.
Retomada pós-paralisação
O volume histórico também indica a recuperação do Fundo Amazônia após quatro anos inativo durante o governo Jair Bolsonaro. Em 2019, Alemanha e Noruega, principais financiadores, interromperam repasses alegando descumprimento de políticas ambientais. As transferências foram retomadas em 2023, já sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Metas climáticas
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Brasil só conseguirá reduzir as emissões de dióxido de carbono entre 59% e 67% até 2035, na comparação com 2005, se combinar o combate ao desmatamento com ações de restauração. O BNDES coordena atualmente 38 projetos de concessão florestal, dos quais 24 estão em execução. O modelo prevê que investidores privados recuperem áreas degradadas e sejam remunerados pela venda de créditos de carbono, explicou o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do banco, Nelson Barbosa.
Novos financiamentos
Entre as operações recentes, o BNDES aprovou neste mês um financiamento de R$ 250 milhões para a Suzano, o maior já destinado com recursos do Fundo Clima à recuperação de mata nativa no país. A iniciativa prevê restaurar 24.304 hectares em Áreas de Preservação Permanente e reservas legais nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia.
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Floresta Viva e transparência
No início de outubro, o banco abriu nova chamada do programa Floresta Viva para restaurar áreas em 61 terras indígenas nos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. O edital disponibiliza R$ 10 milhões em recursos não reembolsáveis, voltados à prevenção de incêndios e ao estímulo à agricultura familiar via sistemas agroflorestais.
Para aumentar a transparência, o BNDES lançou o portal “BNDES Florestas”, que reúne informações sobre os programas Floresta Viva (fases 1 e 2), Arco da Restauração, Restaura Amazônia, ProFloresta+ (em parceria com a Petrobras) e projetos de inovação, além das linhas de crédito do Fundo Clima e do próprio Fundo Amazônia.
Com informações de WizyThec

