Relatos de fenômenos luminosos breves na Lua, os chamados Fenômenos Lunares Transitórios (LTPs, na sigla em inglês), acompanham a história da astronomia há pelo menos 1.500 anos. Entre 557 e 1994, pesquisadores catalogaram 2.254 ocorrências com detalhes suficientes para análise. Desse total, 645 foram confirmadas de forma independente — por fotografias, espectros, medições fotométricas ou polarimétricas — e 448 não puderam ser atribuídas a distorções atmosféricas ou falhas de instrumentos, sugerindo origem lunar.
Registros históricos
Um dos episódios mais antigos foi relatado em 18 de junho de 1178, quando monges ingleses descreveram um clarão intenso na Lua nova. O cronista Gervase de Canterbury registrou que o “chifre” superior do astro teria se dividido antes de expelir faíscas e brilhar como uma tocha flamejante.
No século XX, o astrônomo amador Patrick Moore observou um desses flashes em 1939 e, em 1977, popularizou o termo LTP. Ele listou diferentes tipos de eventos: escurecimentos locais, manchas coloridas — muitas vezes avermelhadas — e alterações de brilho.
Observação moderna
De 2017 a 2023, o projeto NELIOTA, da Agência Espacial Europeia (ESA), monitorou a face lunar parcialmente sombreada por 90 horas. O esforço identificou 55 eventos, permitindo estimar uma média de quase oito flashes por hora em toda a superfície.
Hipóteses em debate
Várias explicações tentam decifrar o enigma. Em 2007, o astrônomo Arlin Crotts, da Universidade Columbia (EUA), propôs que emissões de gás radônio poderiam gerar parte dos flashes, já que a distribuição de LTPs parece coincidir com áreas de possível vazamento de radônio.
Imagem: Marko Aliaksandr
A teoria mais aceita atualmente aponta impactos de meteoritos. Sem atmosfera para frear os detritos espaciais, a Lua receberia colisões que liberam energia luminosa visível da Terra. Entretanto, essa hipótese não explica todos os relatos: a sonda Clementine, da NASA, fotografou quatro eventos em 1994 sem encontrar marcas de impacto nos locais revisados posteriormente.
Embora avanços recentes tenham ampliado o monitoramento, pesquisadores afirmam que são necessários mais dados para elucidar definitivamente as causas dos breves “piscas” lunares que intrigam observadores há mais de um milênio.
Com informações de WizyThec

