Falha global na AWS derruba serviços e reacende alerta sobre dependência de poucos provedores

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Uma interrupção de grandes proporções na Amazon Web Services (AWS) deixou centenas de plataformas instáveis durante a segunda-feira, 20 de outubro. O restabelecimento total da operação só ocorreu à noite, depois de atingir pelo menos mil empresas em vários países, segundo dados do DownDetector.

A falha começou às 4h11 (horário de Brasília) na região US-EAST-1, onde fica um dos principais data centers da AWS, no norte da Virgínia (EUA). De acordo com a companhia, taxas elevadas de erro no DynamoDB — sistema de banco de dados para aplicações de alta demanda — propagaram o problema para outros serviços hospedados no mesmo local, afetando mais de 60 produtos.

Volume de registros

No pico do incidente, o DownDetector contabilizou mais de 6,5 milhões de notificações de falhas. Plataformas de diversos setores relataram instabilidade ou paralisaram totalmente as operações até a normalização completa, no fim da noite.

Outros apagões recentes

O episódio da AWS soma-se a uma série de interrupções significativas registradas nos últimos anos:

  • Em 2024, um erro em software da CrowdStrike causou travamentos de computadores em todo o mundo, interrompeu serviços essenciais — inclusive hospitais — e levou ao cancelamento de voos, gerando prejuízo estimado em US$ 5 bilhões;
  • No mesmo período, a operadora AT&T enfrentou um colapso de 11 horas que deixou clientes sem conexão.

Especialistas alertam para concentração

Consultados pela CNN, especialistas destacam que a frequência de apagões evidencia a dependência de poucos provedores de nuvem — como AWS, Google e Microsoft — para manter serviços online. Corinne Cath-Speth, diretora digital da organização Article 19, afirmou que a infraestrutura por trás do discurso democrático e do jornalismo independente não deveria ficar nas mãos de um número tão restrito de empresas.

Cori Crider, diretora-executiva do Future of Technology Institute, acrescentou ao The Guardian que o Reino Unido precisa reduzir a vulnerabilidade em relação às gigantes tecnológicas norte-americanas.

Lições para as empresas

Em conversa com o WizyThec, Raphael Farinazzo, COO da PM3 e especialista em produtos digitais, ressaltou a importância de aprimorar planos de recuperação de desastres. Para ele, as organizações devem trabalhar em duas frentes: diminuir a probabilidade de falhas e, caso ocorram, reduzir o impacto.

Segundo Farinazzo, manter infraestrutura redundante eleva custos, mas pode evitar prejuízos maiores com paradas não planejadas. “O desafio está em equilibrar investimento e risco. Certamente esse tema foi pauta em todas as empresas afetadas hoje”, concluiu.

Com informações de WizyThec

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