Um artigo publicado na edição de setembro do American Journal of Biological Anthropology coloca em dúvida a ideia de que ancestrais humanos usavam palitos de dente para limpar restos de comida. A equipe de antropólogos revisou pesquisas anteriores e analisou 531 dentes pertencentes a 27 indivíduos de diferentes espécies de primatas, vivas e extintas.
Até então, cortes em forma de “V” encontrados em fósseis — incluindo exemplares com 1,84 milhão de anos e dentes de neandertais — eram interpretados como indício de que o ato de palitar os dentes seria um dos costumes mais antigos de higiene. O novo levantamento, porém, sugere cautela antes de atribuir essas marcas a um comportamento cultural.
Segundo os autores, apenas 4% dos indivíduos examinados apresentavam sulcos semelhantes aos observados em fósseis humanos. Em alguns casos, um orangotango exibia lesões praticamente idênticas às marcas vistas em restos mortais de hominídeos, embora a espécie não costume usar objetos para limpar a boca.
Os pesquisadores apontam outras explicações para as ranhuras: mastigação de alimentos duros ou abrasivos, ingestão acidental de areia e comportamentos específicos, como arrancar vegetação com os dentes. “Precisamos de prudência ao interpretar cada sulco fóssil como resultado deliberado de palitar os dentes”, alertam no artigo.
Imagem: David Frayer
Para o grupo, futuros estudos devem considerar fatores biológicos e comparar traços dentários de primatas atuais antes de concluir que determinadas marcas se originam de práticas culturais humanas.
Com informações de WizyThec

