Um levantamento arqueológico divulgado no American Journal of Archaeology analisou 889 esqueletos de antigos habitantes de Akhetaton — atual Amarna — e concluiu que o desaparecimento da cidade não esteve ligado a uma praga. Os resultados contrariam a hipótese ventilada há décadas de que uma epidemia, possivelmente gripe, teria levado ao êxodo da população.
Akhetaton foi fundada pelo faraó Akhenaton para cultuar exclusivamente o deus solar Aton. Vinte anos após a construção, em torno de 1.335 a.C., o local foi abandonado, alimentando teorias sobre uma doença devastadora. Alguns estudiosos chegaram a associar o episódio às dez pragas bíblicas.
Durante a investigação, pesquisadores examinaram restos mortais de cemitérios próximos à antiga capital. Os espécimes apresentaram indícios de traumas físicos e enfermidades articulares degenerativas, associados a dificuldades econômicas e sociais, mas nenhum sinal compatível com doenças contagiosas de grande escala.
O estudo também constatou que o número total de enterros corresponde ao esperado para a dimensão populacional e o período de ocupação. Caso uma epidemia tivesse ocorrido, a taxa de mortalidade seria substancialmente maior, algo que não se confirmou.
Imagem: Sergey
Os autores sugerem que o abandono de Akhetaton se deu principalmente após a morte de Akhenaton e pela preferência dos habitantes por centros já estabelecidos e pelas crenças tradicionais do Egito Antigo, descartando a necessidade de uma explicação sanitária.
Com informações de WizyThec

