Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, costurou uma rede de contratos que ligou algumas das maiores companhias de hardware e serviços em nuvem ao desenvolvimento da empresa de inteligência artificial. Ao explorar a rivalidade entre gigantes do Vale do Silício, o executivo garantiu aportes que somam centenas de bilhões de dólares e colocam o desempenho da startup no centro da economia de tecnologia dos Estados Unidos.
Corrida por chips e nuvem
A Nvidia foi a primeira a se aproximar da OpenAI, fornecendo processadores que impulsionaram o ChatGPT. Depois que a SoftBank anunciou um megaprojeto de infraestrutura de IA ao lado de Altman, o presidente da Nvidia, Jensen Huang, reagiu com um acordo estimado em US$ 100 bilhões — considerado o maior projeto de computação já anunciado.
Enquanto isso, a Oracle firmou compromisso de US$ 300 bilhões para disponibilizar capacidade em nuvem, o que fez suas ações saltarem quase 40% logo após o anúncio. AMD e Broadcom também aderiram à estratégia, e a Microsoft, parceira histórica, reduziu temporariamente a participação para equilibrar seus investimentos antes de retomar as negociações.
Efeito cascata no mercado
Em apenas quatro dias, anúncios envolvendo OpenAI fizeram Oracle, Nvidia, AMD e Broadcom acrescentarem US$ 630 bilhões ao valor de mercado combinado. Ainda que a OpenAI projete receita de US$ 13 bilhões para 2025, os compromissos com infraestrutura já ultrapassam US$ 650 bilhões.
Planos de energia e data centers
Altman pretende instalar 250 gigawatts em capacidade de computação até 2033, investimento que ultrapassa US$ 10 trilhões e exigiria energia suficiente para um país do tamanho da Alemanha. A expansão sustentaria produtos como o Sora, aplicativo de vídeo que ganhou destaque na App Store.
Negociações intensas
Em 2023, o executivo aproximou-se de Masayoshi Son, da SoftBank, na mansão do empresário no Japão, onde surgiu o projeto Stargate — iniciativa de US$ 500 bilhões para erguer data centers dedicados à OpenAI. Embora haja divergências sobre a localização das instalações, o acordo estimulou outras propostas de parceria.
Imagem: Ana Figueiredo
A relação com a Microsoft passou por altos e baixos. Após rejeitar um aporte extra de US$ 100 bilhões, o CEO Satya Nadella chegou a considerar os planos da OpenAI “exagerados”, mas a empresa depois anunciou um novo centro de dados de IA em Wisconsin, parcialmente voltado aos modelos da startup.
Boatos de testes com chips do Google levaram a Nvidia a retomar conversas diretas. O resultado foi um contrato de US$ 350 bilhões para aluguel de milhões de processadores e a possibilidade de mais US$ 100 bilhões em investimentos. Na sequência, a AMD ofereceu até 10% de suas ações futuras em troca do uso de sua linha Instinct; o papel subiu 24% em um dia. A Broadcom fechou acordo de mesma ordem de grandeza, com 10 gigawatts reservados para a OpenAI.
No mercado, as movimentações reforçam a posição da OpenAI como eixo de uma indústria que vê na empresa de Altman um ponto de não retorno — e que, segundo investidores, tornou-se grande demais para falhar.
Com informações de WizyThec

