Depois de resistir por mais de 15 anos ao avanço de smartphones e tablets, o mercado de computadores pessoais enfrenta uma nova turbulência: a falta de chips de memória. A demanda explosiva dos data centers dedicados a inteligência artificial reduziu a oferta de RAM e de chips NAND para SSDs, elevando drasticamente os preços desses componentes.
Impacto imediato nos preços
Segundo a consultoria TrendForce, os valores da memória RAM devem subir de forma acentuada já no primeiro trimestre de 2026. A alta tem levado fabricantes a reajustar tabela de notebooks e desktops:
- Asus comunicou distribuidores sobre aumentos em toda a linha.
- Dell alterou os preços dos modelos XPS 14 e XPS 16 pouco antes do lançamento.
- Lenovo passou a estocar módulos de memória para garantir produção ao longo de 2026.
- HP também mantém estoque, mas admite que a escalada de custos deve afetar as margens a partir de maio.
No varejo, o reflexo já aparece em PCs pré-montados mais caros, kits sem memória instalada e componentes vendidos com valores inflacionados.
Por que reduzir RAM não resolve
Diminuir a quantidade de memória nos equipamentos parece uma saída imediata, mas não atende às exigências de software atuais. O Windows 11 requer pelo menos 4 GB de RAM — na prática, 8 GB virou o mínimo aceitável. Computadores voltados a IA precisam de ainda mais: a Microsoft definiu 16 GB como requisito para o Copilot Plus.
Para smartphones, a TrendForce acredita ser possível retornar a 4 GB de RAM ainda este ano, mas nos notebooks a medida esbarra em limitações de processadores e sistemas operacionais.
Fabricantes de chips priorizam data centers
Análise da IDC indica que o aumento de preços pode deixar de ser passageiro. Gigantes como Samsung, SK Hynix e Micron estão direcionando a produção para memórias de alta largura de banda (HBM), essenciais em aceleradores gráficos usados por data centers de IA. Com menos linhas dedicadas a RAM e NAND convencionais, PCs e smartphones perdem espaço na fila de fornecimento.
Imagem: DC Studio
Mercado gamer e montadoras pequenas em risco
Empresas que montam computadores sob demanda, especialmente para jogos, sentem o golpe de forma mais intensa. Sem capital para formar grandes estoques de memória, essas companhias devem ser as primeiras a reduzir volume ou fechar as portas. O encarecimento também atinge placas de vídeo de última geração e pode, caso persista até 2026, subir o preço de consoles como Xbox e PlayStation.
Embora especialistas não falem em “fim” dos computadores pessoais, a combinação de oferta limitada e custos elevados coloca o segmento diante de seu teste mais difícil desde a popularização dos dispositivos móveis.
Com informações de WizyThec

