Criovulcões ativos são detectados no cometa interestelar 3I/ATLAS

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Barcelona, 2 de dezembro de 2025 – Novas imagens obtidas por astrônomos espanhóis indicam que o cometa interestelar 3I/ATLAS abriga múltiplos “vulcões de gelo” em erupção. O fenômeno, classificado como criovulcanismo, foi registrado quando o objeto se aproximava do Sol e passou a expelir jatos de gás congelado e partículas de poeira.

Quem descobriu

A equipe liderada por Josep Trigo-Rodríguez, do Instituto de Ciências Espaciais da Espanha, utilizou o Telescópio Joan Oró, instalado no Observatório de Montsec, para monitorar o corpo celeste entre 22 e 27 de novembro. Os pesquisadores combinaram essas observações com dados de outros instrumentos a fim de captar detalhes inéditos da atividade na superfície.

Quando e onde a atividade começou

Segundo o estudo disponibilizado no repositório arXiv, o 3I/ATLAS entrou em um estágio de sublimação intenso a cerca de 378 milhões de quilômetros do Sol, pouco antes do periélio alcançado em 29 de outubro. O aquecimento solar fez o gelo do cometa passar diretamente ao estado gasoso, liberando material que formou jatos visíveis.

Como ocorrem os criovulcões

Os autores sugerem que o dióxido de carbono sólido armazenado no interior do cometa se transforma em gás com o aumento da temperatura, abrindo caminho para líquidos oxidantes reagirem com metais como ferro, níquel e sulfetos. Essa reação química gera a pressão necessária para impulsionar colunas de vapor e poeira, criando as estruturas espirais vistas nas imagens.

Composição semelhante a objetos do Sistema Solar

Para entender a origem do material expelido, os cientistas compararam espectros do 3I/ATLAS com meteoritos condritos carbonáceos encontrados na Antártida. As semelhanças apontam que, embora provenha de outro sistema estelar, o cometa compartilha características com corpos transnetunianos e planetas anões que orbitam além de Netuno.

Por que o 3I/ATLAS é especial

Descoberto em julho, o 3I/ATLAS é o terceiro objeto interestelar já registrado — antecedido pelo asteroide 1I/ʻOumuamua (2017) e pelo cometa 2I/Borisov (2019). Estima-se que o visitante tenha entre 440 metros e 5,6 quilômetros de diâmetro e viaje pelo espaço a cerca de 221 mil km/h em trajetória hiperbólica, o que confirma sua origem fora do Sistema Solar.

Os pesquisadores veem essas passagens rápidas como oportunidades únicas para investigar a química de outros sistemas estelares e reunir pistas sobre as condições que existiam no Universo primordial.

Com informações de WizyThec

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