Impasse sobre combustíveis fósseis prolonga negociações da COP30 em Belém

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A Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, deveria terminar nesta sexta-feira (21), mas as conversas se estenderão pelo fim de semana após a retirada, do rascunho do acordo final, do trecho que previa a eliminação gradativa de petróleo, gás e carvão. A exclusão gerou reação imediata de delegações como a da União Europeia, que ameaça vetar o texto se o tema não voltar ao documento.

Para o físico Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, o impasse reflete a influência direta do lobby da indústria fóssil. “O elefante ficou invisível em quase todas as 29 COPs anteriores e agora está em cima da mesa”, afirmou. Segundo ele, mais de 80 países pressionam pela reinclusão da meta de zerar o uso de combustíveis fósseis.

O climatologista Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia, considera “grande lacuna” a ausência de prazos para abandonar petróleo, gás e carvão. O grupo científico presente no recém-criado Pavilhão de Ciência Planetária entregou aos negociadores proposta para encerrar o consumo desses combustíveis até, no máximo, 2045. Nobre adverte que manter a atual trajetória pode elevar a temperatura global a 2 °C até 2050, configurando “um suicídio ecológico”.

Avanços em financiamento e metas florestais

Apesar do desacordo central, especialistas veem avanços. O fundo Tropical Forests Forever (TFFF) recebeu novo aporte de € 1 bilhão (cerca de R$ 6,1 bilhões) da Alemanha e soma agora mais de US$ 6 bilhões para apoiar países em desenvolvimento na preservação de florestas tropicais. Também foram reforçados mecanismos de financiamento à transição energética, embora ainda distantes da meta anual de US$ 1,3 trilhão.

No campo das metas ambientais, o rascunho mantém o compromisso de zerar o desmatamento até 2030 e promover a recuperação de florestas tropicais, pontos elogiados por Nobre.

Risco climático ampliado para o Brasil

Modelos apresentados por Artaxo indicam que, se as emissões continuarem no ritmo atual, a temperatura média global pode subir 2,8 °C, enquanto o Brasil enfrentaria até 4,5 °C de aumento. “Imaginem 4,5 graus a mais em Palmas, Teresina, Cuiabá ou Belém”, alertou.

Participação recorde

A COP30 contabiliza a presença formal de 195 países e mais de 42 mil participantes, a primeira em uma floresta tropical e com participação ampliada da sociedade civil. O embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, presidente da conferência pelos próximos 12 meses, declarou que continuará trabalhando por um acordo que inclua o fim dos combustíveis fósseis.

Para Artaxo, a COP30 só será marcada como a mais importante de todas se o documento final trouxer um roteiro claro para eliminar petróleo, gás e carvão. Até lá, as delegações seguirão negociando em Belém.

Com informações de WizyThec

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