Betelgeuse, supergigante vermelha localizada no ombro da constelação de Órion, não está sozinha: sua parceira, confirmada oficialmente em julho e batizada de Alfa Orionis B, é uma estrela jovem com aproximadamente 1,5 vez a massa do Sol. A conclusão consta de estudo divulgado na quarta-feira (8) pelo The Astrophysical Journal e liderado por pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos.
Observações durante “janelas de visibilidade”
Detectar a companheira foi um desafio técnico devido ao brilho extremo de Betelgeuse, cerca de 700 vezes maior em diâmetro e milhares de vezes mais luminosa que o Sol. Equipes recorreram ao Observatório de Raios-X Chandra, ao Telescópio Espacial Hubble e ao Telescópio Gemini Norte, instalado no Mauna Kea (Havaí), aproveitando momentos em que Alfa Orionis B não ficava completamente ofuscada pela supergigante.
A autora principal, Anna O’Grady, explicou que nunca havia registro suficientemente claro quando a estrela menor não estivesse atrás de Betelgeuse. “A diferença de brilho é enorme. Confirmar esse objeto mostra o quanto nossas técnicas evoluíram”, afirmou no comunicado da equipe.
Impacto na compreensão de Betelgeuse
Até então, muitos astrônomos acreditavam que Betelgeuse orbitava ao lado de um remanescente estelar — anã branca ou estrela de nêutrons. A novidade, no entanto, revela um sistema binário de grande assimetria de massa, pouco comum nos registros atuais. Segundo O’Grady, pares com essa discrepância são “difíceis de localizar ou mesmo identificar”.
A presença de uma estrela jovem pode também esclarecer os ciclos de escurecimento de Betelgeuse. Os cientistas levantam a hipótese de que Alfa Orionis B varra nuvens de poeira que, ocasionalmente, bloqueiam a luz da supergigante, gerando as flutuações observadas da Terra.
Imagem: Stellarium
Com a identificação de um “par impossível”, astrônomos ganham um novo laboratório natural para investigar formação estelar e evolução de sistemas binários de razão de massa extrema.
Com informações de WizyThec

