O cometa interestelar 3I/ATLAS foi fotografado na semana passada enquanto cruzava o espaço a cerca de 30 milhões de quilômetros de Marte. As imagens vieram dos satélites ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) e Mars Express, além do rover Perseverance, que também apontou suas câmeras para o céu marciano.
Os registros inéditos foram apresentados ao público na última sexta-feira, 10 de outubro, durante o programa Olhar Espacial, transmitido ao vivo às 21h no canal da WizyThec no YouTube. O astrofotógrafo e divulgador científico Alexsandro Mota respondeu às principais dúvidas sobre as fotos, que rapidamente ganharam repercussão nas redes sociais.
Captação pelas sondas ExoMars e Mars Express
Para capturar o visitante interestelar, o TGO ativou o instrumento CaSSIS (Sistema de Imagens de Superfície Coloridas e Estéreo). A sequência obtida mostra um ponto branco movendo-se lentamente contra o fundo escuro do espaço. De acordo com Mota, o processo exigiu ajustes técnicos, já que a ExoMars não foi projetada para observar objetos interestelares, mas sim para estudar a atmosfera de Marte.
Nas imagens, é possível distinguir a coma — nuvem difusa de gás e poeira que envolve o núcleo gelado — formada conforme o aquecimento solar vaporiza material congelado do cometa.
Perseverance registra trilha luminosa
O rover Perseverance utilizou a câmera de navegação Navcam para registrar o 3I/ATLAS. Foram necessários cerca de dez minutos de exposição para produzir a fotografia final, tempo durante o qual o cometa percorreu uma longa trajetória aparente, criando um risco luminoso alongado na imagem.
Segundo o astrônomo Marcelo Zurita, o efeito se assemelha às trilhas de faróis em fotografias noturnas de rodovias e não indica formato cilíndrico. Observações dos telescópios Hubble e James Webb confirmam que o 3I/ATLAS apresenta aparência típica de um cometa.
Imagem: Internet
Tamanho real esclarecido
Especulações online sugeriam que o objeto teria 50 mil quilômetros de diâmetro. Zurita explicou que medições do Hubble analisaram a região mais densa da coma e apontaram um diâmetro máximo entre 4,5 e 5 quilômetros, valor que não corresponde ao tamanho do núcleo, mas sim ao limite superior estimado para o corpo celeste.
Mota destacou que, apesar da qualidade modesta das imagens esperada pelas equipes, o 3I/ATLAS continua sendo um alvo científico valioso para estudos sobre objetos que se originam fora do Sistema Solar.
Com informações de WizyThec

