Cilindro de gelo de 105 m ajuda a investigar geleiras que crescem no Tajiquistão

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Uma coluna de gelo com 105 metros de profundidade, retirada da calota Kon-Chukurbashi, nas montanhas Pamir, pode esclarecer por que algumas geleiras do Tajiquistão seguem estáveis ou até aumentam de tamanho enquanto a maior parte do planeta registra retração acelerada.

O núcleo foi coletado no início de 2025 por uma missão internacional chefiada pelo professor Yoshinori Iizuka, do Instituto de Ciência de Baixas Temperaturas da Universidade de Hokkaido, Japão. A perfuração ocorreu a 5.810 metros de altitude, em uma área que integra a chamada anomalia Pamir-Karakoram – única cadeia montanhosa onde o avanço do gelo desafia a tendência global de derretimento.

Destino duplo das amostras

Dois cilindros foram extraídos. Um foi enviado para um santuário subterrâneo na Antártida, mantido pela Ice Memory Foundation, e o outro chegou ao laboratório da universidade japonesa em novembro. Ali, pesquisadores analisam densidade, estrutura e composição química do gelo em ambiente controlado, processo descrito como minucioso e delicado.

Camadas que contam a história do clima

Cada estrato do núcleo registra condições atmosféricas passadas. Camadas transparentes indicam episódios de derretimento e recongelamento; faixas menos densas correspondem a períodos de maior precipitação de neve. Rachaduras sinalizam neve sobre gelo parcialmente derretido, enquanto partículas vulcânicas, como íons de sulfato, fornecem marcadores de tempo. Isótopos da água são usados para estimar temperaturas históricas.

Hipóteses em teste

Os especialistas investigam se o clima naturalmente frio da região ou a intensa irrigação agrícola no Paquistão – que elevaria o vapor d’água atmosférico – explicam o fortalecimento das geleiras. As amostras podem trazer registros de até 10 mil anos; parte do gelo, porém, derreteu durante um aquecimento há cerca de 6 mil anos.

Resultados iniciais devem ser divulgados no próximo ano. O material armazenado na Antártida permanecerá disponível para pesquisas futuras, inclusive sobre impactos históricos de atividades humanas – como mineração – na qualidade do ar e no regime de chuvas da Ásia Central.

Com informações de WizyThec

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