A China está ampliando o emprego da inteligência artificial (IA) desenvolvida pela startup DeepSeek em projetos de defesa, indicam registros de patentes e processos de compra analisados pela agência Reuters.
Documentos oficiais mencionam uma série de licitações do Exército de Libertação Popular ao longo de 2025 que contemplam os modelos de IA da empresa. Entre as iniciativas já divulgadas, consta um veículo militar autônomo capaz de operar missões de apoio ao combate a até 50 km/h.
Reconhecimento de alvos e apoio em tempo real
Os materiais consultados sugerem avanços rumo ao reconhecimento autônomo de alvos e a sistemas de suporte à decisão no campo de batalha em tempo real. Detalhes sobre funcionamento e estágio de implantação permanecem sob sigilo de Estado.
Uma das aplicações em estudo envolve “cães-robôs” e enxames de drones que rastreariam alvos sem intervenção humana. De acordo com as especificações, a IA poderia analisar cerca de 10 mil cenários de combate — variando terreno, forças e demais variáveis — em apenas 48 segundos.
Custos menores e código parcialmente aberto
Desenvolvida para resolver tarefas complexas de raciocínio, a plataforma da DeepSeek se destaca pelo baixo custo. O treinamento do modelo custou aproximadamente US$ 6 milhões, ante valores superiores a US$ 60 milhões empregados em sistemas rivais, como o Llama 3.1 da Meta.
Para reduzir gastos, a empresa adota técnicas de aprendizado por reforço e ativa apenas parte dos parâmetros nas tarefas exigidas, economizando recursos computacionais. Além disso, mantém um formato parcialmente aberto, permitindo que pesquisadores tenham acesso a seus algoritmos.
Imagem: Pixels Hunter
Repercussão internacional
Questionado pela Reuters, o governo chinês não comentou os projetos. Já um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou que a DeepSeek “forneceu de bom grado, e provavelmente continuará a fornecer”, apoio às operações militares e de inteligência de Pequim.
Até o momento, mais de uma dúzia de concorrências públicas ligadas às Forças Armadas chinesas mencionam diretamente a tecnologia da companhia, reforçando o interesse do país em reduzir a dependência de recursos ocidentais no setor de defesa.
Com informações de WizyThec

