Chile busca expandir centros de IA no deserto e enfrenta pressão ambiental

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O governo chileno lançou uma estratégia para transferir futuros data centers de inteligência artificial de Santiago para a região de Antofagasta, no deserto do Atacama, tentando conciliar crescimento econômico com menor impacto hídrico.

Pressão popular contra consumo de água

Moradores e movimentos socioambientais têm protestado contra a instalação de grandes estruturas de tecnologia. Grupos como o Movimento Comunitário Socioambiental pela Água e Terra acusam empresas como Google e Amazon de agravar a escassez de água em áreas já afetadas por longos períodos de seca.

Em Santiago, a mobilização social levou o Google a abandonar um segundo projeto de data center. “Os data centers estão tendo prioridade sobre a população”, disse Rodrigo Cavieres, representante do movimento, ao The New York Times.

Iniciativas do governo

A gestão do presidente Gabriel Boric defende a descentralização dos centros de dados para regiões com alta incidência solar, diminuindo a demanda por recursos hídricos na capital e estimulando novos polos tecnológicos no norte do país.

  • Descentralização: migração de grandes servidores para Antofagasta;
  • Energia limpa: uso intensivo de fonte solar disponível no deserto;
  • Reserva de capacidade: parte da infraestrutura destinada a universidades e startups locais;
  • Incentivo à inovação: apoio a empresas que utilizam IA de forma sustentável, como a foodtech NotCo.

Receio de impactos ambientais

Ambientalistas alertam para possíveis danos à biodiversidade do Atacama. “Estamos nos tornando um armazém de inteligência artificial para o mundo”, afirmou o ativista Rodrigo Vallejos, que denuncia o ressecamento do pântano de Quilicura após a chegada de um data center do Google.

IA com foco latino-americano

Pesquisadores chilenos também correm para desenvolver modelos de IA que reflitam a cultura da região. A ex-ministra da Ciência, Aisén Etcheverry, resume o desafio: “O momento em que você perde a capacidade de entender ou construir sua própria máquina é o momento em que você perde o controle do futuro”.

Entre as iniciativas de destaque está a NotCo, que emprega algoritmos para criar alimentos à base de plantas, como o leite vegetal NotMilk, ilustrando como a tecnologia pode gerar impacto positivo na economia local.

Enquanto o Chile se posiciona na corrida global da inteligência artificial, o debate sobre uso de água, proteção do ecossistema do Atacama e benefícios sociais permanece no centro das discussões.

Com informações de WizyThec

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