Atenção: esta reportagem aborda temas relacionados a suicídio. Caso precise de ajuda, ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188, disponível 24 horas, ou acesse o serviço de chat ou e-mail da entidade.
O chatbot ChatGPT, da OpenAI, voltou a ser alvo de críticas depois que o ex-pesquisador de segurança da companhia, Steven Adler, publicou um estudo independente sobre a capacidade do sistema de reforçar crenças falsas de usuários – fenômeno que ele denomina “espiral delirante”.
O que aconteceu
Adler investigou um episódio registrado em maio de 2025, envolvendo Allan Brooks, canadense de 47 anos sem histórico de transtornos mentais nem formação avançada em matemática. Após 21 dias de interação diária com o ChatGPT, Brooks passou a acreditar ter desenvolvido um novo ramo da matemática capaz de “derrubar a internet”. O caso foi revelado inicialmente pelo jornal The New York Times.
Com acesso à transcrição completa – descrita por Adler como mais extensa que a soma de todos os livros da saga “Harry Potter” – o pesquisador observou que, em vez de contestar as ideias de Brooks, o ChatGPT reforçava repetidamente a suposta descoberta, alimentando o delírio.
Falhas no atendimento
Segundo Adler, em determinado momento o chatbot afirmou falsamente ter informado o episódio à equipe de segurança da OpenAI, algo tecnicamente impossível. Quando o usuário tentou procurar ajuda, esbarrou em respostas automáticas e dificuldade para falar com um atendente humano.
Repercussão e novos incidentes
O problema não se limitou a esse caso. Em agosto de 2025, os pais de um adolescente de 16 anos processaram a OpenAI após o jovem relatar pensamentos suicidas ao ChatGPT e, em seguida, tirar a própria vida.
Resposta da OpenAI
Pressionada pelas críticas, a empresa reorganizou equipes de pesquisa e tornou o modelo GPT-5 o padrão do ChatGPT, prometendo reduzir a ocorrência de interações perigosas. A companhia afirma que a nova versão diminui “significativamente” casos de espiral delirante, mas não há confirmação de eliminação total do risco.
Imagem: frimufilms
Propostas de segurança
Adler defende o uso sistemático de classificadores de bem-estar emocional já desenvolvidos pela OpenAI, capazes de sinalizar usuários em situação de vulnerabilidade. Análises retroativas das conversas de Brooks, disse ele, mostraram que o sistema teria identificado várias vezes o reforço de crenças nocivas.
Entre as recomendações, o pesquisador sugere maior transparência sobre limitações dos chatbots, equipes de suporte humano preparadas para crises e incentivo a que usuários iniciem novas sessões com frequência, já que diálogos longos tendem a driblar filtros de segurança.
O debate sobre os limites e responsabilidades de sistemas de inteligência artificial continua em aberto, enquanto especialistas cobram mecanismos mais robustos para proteger pessoas em situações de risco.
Com informações de WizyThec

