Um grupo da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) criou uma nova cerâmica para próteses dentárias a partir de resíduos de zircônia descartados durante a fabricação digital desses dispositivos. Segundo os pesquisadores, o material reciclado apresenta desempenho mecânico igual ou superior aos produtos comercializados atualmente e ainda reforça a proteção antimicrobiana.
A zircônia usada em laboratórios pode ter até 80% de seu volume jogado fora sem reaproveitamento. O projeto de pós-doutorado liderado pelo professor Estevam Augusto Bonfante adaptou uma técnica já em estudo pelo grupo para transformar esses resíduos em um biomaterial de múltiplas camadas.
Como funciona o novo biomaterial
A cerâmica é formada por uma camada interna de alta resistência e outra externa mais translúcida, responsável pela aparência semelhante ao dente natural. Um vidro desenvolvido pelo próprio grupo atua como interface entre as camadas, reforça a estrutura e reduz a adesão bacteriana, característica importante para a longevidade das próteses.
Potencial de uso no SUS
Os testes ainda ocorrem em laboratório, mas os cientistas veem a tecnologia como passo rumo a uma odontologia mais sustentável, com menor impacto ambiental, maior durabilidade e possível redução de custos. A expectativa é que, no futuro, próteses feitas com o novo material possam ser oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Imagem: Peoples.com Yuri A
Com informações de WizyThec

