A administração dos Estados Unidos informou que um acordo para colocar o TikTok sob propriedade norte-americana pode ser oficializado na próxima quinta-feira (30), na Coreia do Sul. A expectativa foi confirmada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, neste domingo (26).
Segundo Bessent, o presidente Donald Trump pretende anunciar a transação durante encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, agenda que faz parte da viagem do líder norte-americano ao país asiático nesta semana. O objetivo é diminuir a tensão comercial entre Washington e Pequim e, ao mesmo tempo, solucionar o impasse sobre o aplicativo.
Entenda o impasse
• Em 2024, o Congresso aprovou e o então presidente Joe Biden sancionou uma lei que proíbe o TikTok nos EUA caso a plataforma não deixe de pertencer à chinesa ByteDance.
• O app saiu do ar em janeiro, mas foi reativado no primeiro dia do governo Trump por meio de ordem executiva que abriu prazo para negociação de venda.
• Desde então, Trump emitiu três novas ordens, prorrogando o limite para a conclusão de um acordo, embora sem base legal clara apontada por especialistas.
• Em abril, um plano para dividir o TikTok em uma empresa independente fracassou depois de Pequim recuar em resposta a tarifas anunciadas pelos EUA.
• Novos decretos em junho e setembro mantiveram o aplicativo em funcionamento enquanto prosseguiam as discussões sobre segurança nacional.
O que está sobre a mesa
A proposta atual prevê que um consórcio de investidores dos Estados Unidos compre as operações do TikTok no país. A negociação, contudo, depende de autorização do governo chinês, já que a ByteDance detém o algoritmo de recomendação considerado peça-chave do serviço.
Para Bonnie Glaser, diretora do programa Indo-Pacífico do German Marshall Fund, Pequim não vê o negócio como prioridade. “A China está disposta a deixar Trump declarar vitória, mas não está claro se o acordo protegerá os dados dos norte-americanos”, afirmou a especialista, que também questionou a compatibilidade da operação com a legislação dos EUA.
Importância do app para o público jovem
Levantamento do Pew Research Center, publicado em setembro, indica que 43% dos adultos com menos de 30 anos nos Estados Unidos usam o TikTok como fonte regular de notícias — porcentual superior ao de plataformas como YouTube, Facebook e Instagram.
Imagem: PJ McDnell
A pesquisa ainda mostra que o apoio popular a um banimento do aplicativo diminuiu: cerca de um terço dos norte-americanos defendem a proibição, ante 50% em março de 2023. Entre os favoráveis à medida, 80% citam a segurança de dados como principal motivo.
Algoritmo em disputa
No centro das discussões está o algoritmo que personaliza o feed de vídeos. A legislação chinesa determina que essa tecnologia permaneça sob controle do país, enquanto a lei aprovada pelo Congresso dos EUA exige que qualquer venda do TikTok inclua o rompimento de vínculos com a ByteDance. Autoridades norte-americanas alegam risco de manipulação por parte de Pequim, embora não tenham apresentado provas de interferência.
Se o entendimento for confirmado na quinta-feira, o TikTok encerrará meses de incerteza sobre sua continuidade no mercado norte-americano.
Com informações de WizyThec

