A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) começou nesta quarta-feira (12) no Brasil e, segundo o climatologista Carlos Nobre, o encontro precisa ir além dos acordos anteriores para conter o avanço da crise climática. Em entrevista ao WizyThec News, o pesquisador alertou que a meta do Acordo de Paris — limitar o aquecimento global a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais — está prestes a ser ultrapassada.
“Estamos muito perto de atingir 1,5 °C. 2025 será o segundo ano mais quente do registro histórico. No máximo em cinco a dez anos, teremos essa marca de forma permanente”, afirmou Nobre. Para ele, manter o objetivo atual de zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa apenas em 2050 levaria o planeta a um aumento de temperatura entre 2 e 2,5 °C.
Exigência de compromissos mais fortes
O cientista defendeu que a COP30 “seja uma das últimas oportunidades” para os governos ampliarem suas metas. Além de reduzir emissões, ele destaca a necessidade de fortalecer a resiliência de milhões de pessoas frente a eventos extremos, como ondas de calor, secas, incêndios, vendavais e chuvas intensas que já se tornaram mais frequentes.
Primeira COP no Brasil
Pela primeira vez, a conferência ocorre em solo brasileiro. A principal proposta do país anfitrião é o Tropical Forests Forever Fund (TFFF), voltado a financiar a preservação de florestas tropicais presentes em 70 nações. O Itamaraty estima que o fundo possa captar cerca de US$ 125 bilhões (aproximadamente R$ 680 bilhões) por ano, somando recursos públicos e privados. A gestão ficará a cargo de um comitê que ainda será formado, com representantes dos países participantes.
O Brasil também reafirmou o compromisso de zerar o desmatamento até 2030 e de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, em relação aos níveis de 2005 — o que equivale a algo entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente. A meta foi apresentada na COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão.
Imagem: Olhar Digital
A COP30 prossegue até 21 de novembro, quando serão avaliados os novos compromissos climáticos globais.
Com informações de WizyThec

