Um relatório divulgado nesta semana na revista BioScience alerta que a humanidade se aproxima de um “caos climático” devido ao consumo recorde de combustíveis fósseis em 2024. O documento foi elaborado por um grupo internacional de cientistas liderado pelo professor William Ripple, da Oregon State University.
Recorde de petróleo, gás e carvão
Segundo dados do Energy Institute citados no estudo, o uso global de petróleo, gás natural e carvão avançou 1,5% em 2024, estabelecendo um novo pico histórico. As emissões de dióxido de carbono associadas à energia também atingiram níveis inéditos, contrariando metas de mitigação do aquecimento global.
Efeitos já visíveis
Os pesquisadores descrevem uma série de “sinais vitais” em alerta máximo para o planeta: temperatura dos oceanos sem precedentes, degelo acelerado de camadas de gelo e aumento da perda de florestas em incêndios. Eventos extremos, como ondas de calor, tempestades, inundações e queimadas, tornaram-se mais intensos; o furacão Melissa, que ocorreu recentemente, é citado como evidência da ameaça climática crescente.
Avanços insuficientes
Embora algumas regiões apontem progresso na transição energética — a exemplo da redução do consumo de fósseis na China no primeiro semestre de 2024 e da participação de fontes limpas em dois terços da eletricidade gerada na Califórnia em 2023 —, esses ganhos ainda não compensam o crescimento das emissões globais.
Medidas recomendadas
O relatório propõe adotar eletricidade de baixo carbono, transporte sustentável e redução na criação de gado. Os autores enfatizam que cada fração de grau evitada ajuda a limitar o colapso de geleiras, o degelo do permafrost e a perda de grandes áreas de floresta.
Risco de pontos de inflexão
De acordo com o documento, a velocidade atual do aquecimento amplia a probabilidade de ultrapassar pontos de inflexão climática irreversíveis. Os cientistas argumentam que acelerar a transição energética traria benefícios econômicos imediatos e custaria menos do que lidar com os danos do clima descontrolado.
Imagem: NOAA
Políticas e responsabilidades
Os autores criticam políticas que estimulam a produção de combustíveis fósseis, citando as medidas do governo do ex-presidente Donald Trump, e pedem maior compromisso de outros países. O relatório aponta que, desde 1990, os 10% mais ricos do planeta respondem pela maior parte das emissões. Entre as soluções listadas estão a redução do consumo excessivo, a proteção e a restauração de ecossistemas, além de dietas com menor participação de carne.
Os cientistas concluem que ainda há tempo para limitar os danos, mas ressaltam a necessidade de mudanças urgentes nos modelos de produção e consumo atuais.
Com informações de WizyThec

