O furacão Melissa, que tocou a costa oeste da Jamaica como um sistema de categoria 5 antes de perder intensidade e chegar a Cuba na manhã desta quarta-feira (29), já provocou ao menos sete mortes e deixou um rastro de destruição nas ilhas do Caribe.
Durante a passagem pela Jamaica, o fenômeno registrou ventos de até 300 km/h e ondas que alcançaram quatro metros de altura, índices que colocam o Melissa entre os furacões mais fortes da história recente da região.
Causas da potência incomum
Meteorologistas atribuem a força excepcional do ciclone à combinação de três fatores principais:
Calor recorde do mar: a superfície do Caribe está até 5 °C acima da média, atingindo cerca de 30 °C. Esse calor elevado, que também se estende em profundidade, fornece grande quantidade de energia para a formação e intensificação dos furacões.
Efeito da La Niña: o padrão atmosférico associado ao fenômeno reduziu o cisalhamento vertical do vento — mudança na velocidade ou direção do vento em diferentes altitudes. Com o cisalhamento baixo, os sistemas tropicais conseguem se organizar e ganhar força com mais facilidade.
Atmosfera muito úmida: a alta umidade favoreceu a criação de nuvens convectivas explosivas, que se expandem rapidamente e produzem chuvas intensas, reforçando o núcleo da tempestade.
Imagem: Mike Mareen
Estagnação sobre águas quentes
Ao contrário do comportamento típico, o Melissa permaneceu quase estacionário sobre as águas excepcionalmente quentes do Caribe, absorvendo energia por mais tempo do que a média. Esse deslocamento lento manteve o ciclo de intensificação ativo, resultando em um dos eventos meteorológicos mais intensos dos últimos anos.
Especialistas observam que temporadas de furacões no Atlântico ocorrem anualmente, mas apontam tendência de sistemas cada vez mais poderosos, em linha com o aumento das temperaturas oceânicas observado nas últimas décadas.
Com informações de WizyThec

