A BYD inaugura às 11h30 desta quinta-feira (2) sua primeira fábrica de veículos eletrificados no Brasil. O complexo fica em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, no mesmo terreno que abrigava a antiga planta da Ford no Polo Petroquímico.
Estão confirmadas para a cerimônia as presenças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; do ministro da Casa Civil, Rui Costa; do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues; e do presidente mundial da montadora, Wang Chuanfu.
Capacidade de 150 mil veículos por ano
Na primeira fase, a unidade poderá montar 150 mil automóveis anuais, com previsão de dobrar esse volume na etapa seguinte. O investimento total da companhia chinesa soma R$ 5,5 bilhões em uma área de 4,6 milhões de metros quadrados, que deverá gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos.
O processo produtivo segue o modelo SKD (Semi Knocked-Down): componentes fabricados no exterior chegam semi-desmontados e são montados em Camaçari. A expectativa é adicionar etapas de pintura e soldagem no futuro para elevar o índice de nacionalização.
Três linhas de produção
O complexo abriga três frentes industriais:
- montagem de carros elétricos e híbridos;
- fabricação de caminhões e chassis para ônibus;
- processamento de insumos de baterias, como lítio e ferro-fosfato.
Inicialmente sairão da linha o elétrico BYD Dolphin Mini e os híbridos BYD Song Pro (GL/GS) e BYD King (GL/GS). O Dolphin Mini lidera as vendas de elétricos no país, com mais de 34 mil unidades emplacadas.
Pesquisadores brasileiros e chineses também trabalham no desenvolvimento do motor híbrido flex 1.5 DM-i, capaz de operar com gasolina e etanol.
Automação e baixo ruído
Robôs realizam operações como instalação de vidros e fixação de baterias. Segundo a montadora, o sistema de sequenciamento inteligente prioriza modelos mais demandados, mantendo o nível de ruído interno abaixo de 70 decibéis.
Imagem: Olhar Digital
Irregularidades trabalhistas
Durante a construção, o Ministério do Trabalho e Emprego identificou a entrada irregular de 471 operários chineses, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão. Relatórios apontaram alojamentos superlotados, ausência de colchões e sanitários insuficientes.
Reação da indústria e novos impostos
Montadoras instaladas no país criticam o uso de peças importadas a baixo custo pela BYD. Atendendo à Anfavea, o governo antecipou para janeiro de 2027 a alíquota de 35% de imposto de importação para veículos elétricos e híbridos, antes prevista para julho de 2028.
Em resposta, a BYD lançou campanha para atingir mais de 50% de nacionalização de partes até 2027 e iniciou seleção de fornecedores locais para abastecer a fábrica baiana.
Com a operação em Camaçari, a empresa consolida sua expansão no mercado brasileiro e amplia a produção de modelos eletrificados no país.
Com informações de WizyThec

