O Instituto Butantan divulgou alerta recomendando que moradores interrompam o uso de inseticidas, água sanitária e outros produtos químicos para combater escorpiões dentro de casa. Segundo o órgão paulista, essas substâncias não eliminam o animal e ainda podem desencadear novas infestações, além de ampliar o risco de acidentes.
Por que o veneno não funciona?
De acordo com o aracnólogo Paulo Goldoni, do Laboratório de Coleções Zoológicas do Butantan, o escorpião possui duas características que neutralizam a maior parte dos pesticidas domésticos:
Capacidade de prender a respiração – o aracnídeo fecha os estigmas respiratórios e sobrevive ao contato inicial com o produto.
Efeito desalojante – diante do agente químico, o animal foge do esconderijo e circula por sapatos, roupas de cama ou cortinas, aumentando a probabilidade de picadas.
Risco de proliferação
O uso de venenos também pode favorecer a partenogênese, processo em que a fêmea do escorpião-amarelo se reproduz sem macho. Uma única fêmea gera cerca de 20 filhotes, até quatro vezes por ano, o que agrava infestações residenciais.
Dados de acidentes
Entre janeiro e dezembro de 2024, o Brasil registrou quase 200 mil ocorrências envolvendo escorpiões, liderando o ranking nacional de acidentes com animais peçonhentos.
Cinco erros comuns no combate ao escorpião
O Instituto listou práticas que devem ser evitadas:
- Aplicar inseticida ou água sanitária em ralos;
- Espalhar plantas como lavanda, citronela, arruda ou alecrim na tentativa de repelir o aracnídeo;
- Manter galinhas no quintal como controle biológico;
- Usar cartelas de ovos para “atrair” ou capturar o animal;
- Adotar métodos caseiros de primeiros socorros, como torniquete ou sucção de veneno.
Medidas recomendadas
Para reduzir a presença de escorpiões, o Butantan e o Ministério da Saúde orientam:
Imagem: Butantan
- Eliminar baratas — principal fonte de alimento do escorpião — evitando acúmulo de lixo e entulho;
- Instalar telas em ralos, pias e tanques, além de vedar frestas em portas e janelas;
- Sacudir roupas, sapatos e roupas de cama antes do uso e afastar camas da parede;
- Preservar predadores naturais, como corujas, lagartos, sapos e quatis.
O que fazer em caso de picada
O protocolo oficial é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediato. Se possível, levar foto do animal para facilitar a identificação.
Captura segura
Ao encontrar um escorpião, não o pegue com as mãos. Utilize calçado fechado e empurre o animal para um recipiente plástico. Em seguida, entregue-o ao Centro de Controle de Zoonoses ou acione a prefeitura.
Seguir essas orientações ajuda a minimizar acidentes e controla a população do aracnídeo sem recorrer a substâncias que podem agravar o problema.
Com informações de WizyThec

