Uma equipe internacional de geólogos detectou pulsos regulares de material quente subindo do interior da Terra na região de Afar, nordeste da Etiópia. O fenômeno, descrito em artigo publicado em julho na revista Nature Geoscience, foi comparado a um “batimento cardíaco” do planeta e ajuda a explicar por que essa área é uma das mais ativas do mundo em formação de fendas tectônicas.
O grupo, liderado pela geóloga Emma Watts, da Universidade de Southampton (Reino Unido), analisou 130 amostras de rochas vulcânicas formadas nos últimos 2,6 milhões de anos e comparou os resultados com materiais mais antigos coletados no mesmo local. As variações químicas encontradas mostraram um padrão periódico, indicando que a pluma de manto sob Afar não é uniforme: ela pulsa, e cada pulso traz uma assinatura química distinta.
Plumas de manto são colunas de rocha extremamente quente que ascendem de grandes profundidades, às vezes da fronteira entre núcleo e manto. Normalmente surgem sob o oceano, como no Havaí, mas a pluma de Afar atravessa a crosta continental — mais espessa — e se relaciona diretamente às três grandes falhas tectônicas que se cruzam na região.
Segundo os pesquisadores, cada pulso canaliza magma pelas fissuras na crosta, alimentando vulcões, provocando terremotos e acelerando a separação do continente africano, processo que deve levar à formação de um novo oceano. O professor Tom Gernon, coautor do trabalho, comparou o fenômeno ao fluxo sanguíneo em uma artéria: onde as placas se afastam mais rapidamente, como no Mar Vermelho, os pulsos chegam de forma mais eficiente e regular — como um batimento acelerado.
As diferenças identificadas na composição do manto seriam resultado da reciclagem de material pelas placas tectônicas e de porções profundas que permanecem praticamente inalteradas desde a origem da Terra. O geólogo Derek Keir, também de Southampton, destacou que o fluxo do manto pode se deslocar lateralmente sob as placas, concentrando a atividade vulcânica em pontos onde a crosta é mais fina.
Imagem: ma Watts
Pulsos semelhantes já foram registrados em outras partes do mundo, como nas Ilhas Canárias, porém no Havaí as mudanças químicas são mais espaciais do que temporais. O próximo passo da equipe é medir a velocidade desses fluxos e avaliar com maior precisão seu impacto na superfície terrestre.
Com informações de WizyThec

