Um grupo do Departamento de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apresentou um protótipo de bateria de íon-sódio que reúne três características pouco comuns em um único dispositivo: flexibilidade, transparência e funcionamento em meio aquoso. A nova tecnologia busca oferecer uma alternativa mais sustentável e segura às baterias de íon-lítio, hoje predominantes em eletrônicos portáteis e veículos elétricos.
Como funciona a bateria
O projeto, liderado pelo professor Aldo José Gorgatti Zarbin, utiliza nanoarquitetura para criar filmes ultrafinos capazes de ser depositados sobre diversas superfícies. Essa técnica permitiu combinar:
- uso de sódio, elemento abundante e de menor custo que o lítio;
- eletrólito aquoso, que elimina solventes orgânicos inflamáveis;
- estrutura flexível e transparente, adequada a dispositivos vestíveis e janelas inteligentes.
Segundo a pesquisadora Maria Karolina Ramos, que participou do estudo em seu mestrado, doutorado e pós-doutorado, a ausência de materiais inflamáveis reduz significativamente o risco de incêndios e explosões, além de minimizar o impacto ambiental.
Possíveis aplicações
A combinação de transparência e flexibilidade abre caminho para uso em roupas inteligentes capazes de monitorar sinais vitais, bem como em vidros que regulam a entrada de luz enquanto armazenam energia. “Para esse tipo de eletrônico, a bateria precisa se dobrar como o tecido”, explica Zarbin.
Reconhecimento internacional
O trabalho foi destaque de capa da revista Sustainable Energy & Fuels, da Royal Society of Chemistry, e rendeu à equipe um prêmio estadual de ciência e tecnologia. O desenvolvimento é resultado de quase três décadas de pesquisas em filmes finos conduzidas no Grupo de Química de Materiais (GQM) da UFPR.
Imagem: Maria Karolina Ramos
As próximas etapas incluem aperfeiçoar a capacidade de armazenamento e adaptar o processo de produção para escala industrial.
Com informações de WizyThec

