Um novo modelo apresentado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego propõe uma camada rígida no interior de Vênus como responsável pela formação das coronae – estruturas circulares que pontilham a superfície do planeta há décadas sem explicação satisfatória.
Quem fez a pesquisa
A investigação é liderada por Madeleine Kerr, doutoranda do Instituto de Oceanografia Scripps, com colaboração do professor de geociências David Stegman. O trabalho foi publicado em 16 de setembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
O que o estudo descobriu
Segundo o grupo, há um limite a cerca de 600 km de profundidade que funciona como um “teto de vidro”. Materiais quentes que sobem do manto esbarram nessa barreira, espalhando-se lateralmente; apenas plumas mais potentes ultrapassam a camada e chegam à superfície, originando elevações vulcânicas de grande porte.
Plumas menores ficam presas logo abaixo do limite, gerando correntes lentas e instáveis que, de acordo com as simulações, produzem os relevos em anel. Mais de 700 coronae já foram catalogadas em Vênus, com diâmetros variando de 200 km a mais de 500 km.
Por que isso é importante
Terra e Vênus possuem tamanho, densidade e distância ao Sol semelhantes, mas diferem na dinâmica interna. Sem placas tectônicas, Vênus exibe uma crosta única e contínua. Entender como o calor interno se movimenta em um ambiente sem tectônica de placas ajuda a compreender a evolução do planeta vizinho e oferece pistas sobre a diversidade de mundos rochosos fora do Sistema Solar.
Como eles chegaram à conclusão
Modelos de computador mostraram que gotejamentos de rocha fria da base da crosta podem iniciar múltiplas plumas quentes quando encontram o “teto de vidro”. As simulações funcionaram quando o manto venusiano estava entre 23,1 °C e 126,8 °C mais quente que o da Terra.
Imagem: Venus Quickmaps
Próximos passos
Os autores planejam incluir modelos tridimensionais, processos de fusão e diferentes composições do manto, além de analisar a evolução de Vênus ao longo de sua história completa para refinar a hipótese.
O estudo oferece um mecanismo unificador para relacionar transferência de calor interno às feições tectônicas observadas na superfície do planeta e pode encerrar um mistério que intriga a comunidade científica há décadas.
Com informações de WizyThec

