Um balão estratosférico financiado pela NASA completou com êxito, em 1º e 2 de outubro de 2025, um voo de 20 horas dedicado a testar tecnologias para fotografar planetas fora do Sistema Solar. O equipamento, que atingiu 37 km de altitude, levou ao ar o experimento PICTURE-D (Planetary Imaging Coronagraph Testbed Using a Recoverable Experiment for Debris Disks) e pousou conforme previsto em terras agrícolas do Condado de Hale, nas proximidades de Edmonson, Texas.
Operação mantida apesar da paralisação do governo
O lançamento ocorreu em 1º de outubro, mesmo dia em que entrou em vigor a paralisação do governo dos Estados Unidos. Uma licença especial permitiu a decolagem, considerada irremovível do cronograma devido a um fenômeno atmosférico raro: a reversão de ventos na estratosfera, que só acontece duas vezes por ano e garante condições ideais para voar durante a noite.
Lançamento e pouso monitorados
A carga partiu de Fort Sumner, Novo México, em operação coordenada pela Columbia Scientific Balloon Facility, localizada em Palestine, Texas. Identificado como voo 758N, o balão não possui propulsão própria e depende de correntes de ar. Dados meteorológicos em tempo real foram usados para traçar uma rota que evitasse áreas urbanas, leitos de rios, linhas de energia e terrenos acidentados.
O pouso em uma fazenda do Texas foi acompanhado por equipes em solo. Segundo o líder da missão, Christopher Mendillo, pesquisador da Universidade de Massachusetts Lowell, o contato com o solo aconteceu exatamente no ponto planejado.
Objetivos científicos
Com investimento de US$ 7 milhões do Programa de Pesquisa e Análise Astrofísica da NASA, o PICTURE-D busca aprimorar coronógrafos capazes de bloquear a luz de estrelas brilhantes para revelar corpos muito mais tênues em órbita. O telescópio de 60 cm de diâmetro registrou milhares de imagens de quatro sistemas estelares, entre eles um binário. O primeiro resultado divulgado foi a captura do sistema Gamma Cassiopeiae, na constelação de Cassiopeia, onde a estrela secundária é 3 000 vezes mais fraca que a primária.
Imagem: UMass Lowell
Próximos passos
Pequenos contratempos técnicos limitaram parte do desempenho, mas a equipe pretende repetir os voos em 2026 e 2027 para aperfeiçoar a metodologia. O conhecimento acumulado deverá contribuir para projetos futuros, como o Observatório de Mundos Habitáveis, concebido para buscar planetas do tamanho da Terra na década de 2040.
As imagens coletadas no Texas estão sendo catalogadas e processadas na Universidade de Massachusetts Lowell enquanto a carga aguarda o fim da paralisação do governo para retornar ao campus.
Com informações de WizyThec

