Pesquisadores da Universidade de Oulu, na Finlândia, identificaram a presença de nanopartículas de ouro em agulhas de abeto-norueguês (Picea abies) que crescem nas proximidades da mina de Kittilä, a maior jazida de ouro da Europa, localizada na Lapônia. O achado sugere que microrganismos associados às árvores desempenham papel chave na “biomineralização” do metal.
Como o estudo foi conduzido
A equipe coletou 138 amostras de agulhas de 23 abetos espalhados pela região. Exames mostraram que apenas quatro árvores continham nanopartículas de ouro recobertas por biofilmes bacterianos. O sequenciamento de DNA desses biofilmes revelou abundância de três grupos microbianos: P3OB-42, Cutibacterium e Corynebacterium.
Segundo a principal autora, a pós-doutoranda Kaisa Lehosmaa, os resultados “fornecem evidências preliminares de como o ouro se movimenta pelos brotos das plantas e como as nanopartículas se formam dentro das agulhas”. A pesquisa foi publicada na revista Environmental Microbiome.
Processo de biomineralização
No solo, o ouro aparece em forma líquida e solúvel. Ao ser transportado pela água, penetra na árvore e circula pelos vasos até atingir as agulhas. Ali, bactérias presentes nos tecidos precipitam o metal, convertendo íons solúveis em partículas sólidas de apenas alguns nanômetros.
Apesar do tamanho minúsculo não representar valor comercial imediato, o mecanismo pode servir como indicador de depósitos subterrâneos. Em 2019, por exemplo, a empresa de exploração Marmota localizou uma veia de ouro de seis metros de espessura — com teor de 3,4 g/t — após analisar folhas de outras espécies.
Imagem: TSVi
Os autores acreditam que a identificação das comunidades bacterianas envolvidas facilite futuras buscas por ouro em regiões cobertas por vegetação semelhante.
Com informações de WizyThec

