A norte-americana Reliable Robotics intensificou os testes de um Cessna Caravan totalmente automatizado na Califórnia, dando novo impulso ao desenvolvimento de aeronaves capazes de voar sem piloto a bordo. O projeto reflete uma tendência do setor aéreo, que vê na autonomia plena oportunidades para carga, uso militar e, no futuro, transporte de passageiros.
Quem está à frente
Em setembro, a companhia firmou um contrato de US$ 17 milhões com a Força Aérea dos Estados Unidos para aperfeiçoar operações de carga autônoma. Num voo recente, engenheiros acompanharam em solo o trajeto de um Caravan que percorreu o norte da Califórnia enquanto novos sistemas de radar e prevenção de colisões eram avaliados em tempo real.
Próximo passo: certificação
O presidente-executivo da Reliable, Robert Rose, declarou ao Wall Street Journal que a meta é obter a certificação da Administração Federal de Aviação (FAA) até 2028, permitindo controles totalmente remotos. Para Rose, o principal obstáculo já não é a tecnologia, mas a disposição do passageiro em embarcar num avião sem piloto.
Concorrência em movimento
Outras empresas entram na disputa. A Joby Aviation realizou voos de teste sobre o Pacífico com suas aeronaves elétricas pilotadas à distância. Já a Airbus conduz o programa eMCO (Extended Minimum Crew Operations), que pretende reduzir para um piloto a presença humana na cabine de voos longos, usando automação do A350 para intervir em emergências, como despressurização.
A Boeing, após revisar processos em decorrência dos acidentes do 737 MAX (2018–2019), investe no táxi aéreo elétrico Wisk, veículo totalmente autônomo cuja operação será supervisionada por controladores em terra.
Resistência dentro e fora das cabines
Sindicatos como a Air Line Pilots Association insistem na manutenção de dois profissionais no cockpit, argumentando que, em situações de risco, decisões humanas continuam essenciais. A Agência Europeia de Segurança da Aviação (EASA) também sustenta a exigência de dupla tripulação e só admite rever a regra depois de comprovados ganhos objetivos de segurança.
Imagem: Business Wire
Primeiras rotas comerciais
Segundo Rose, os voos comerciais inaugurais da Reliable devem ocorrer em Albuquerque, Novo México, em trajetos urbanos e próximos a aeroportos movimentados. Além do software de navegação, a empresa desenvolve radares de bordo e atuadores reforçados que reproduzem os movimentos hoje executados pelos pilotos.
Especialistas avaliam que a autonomia aérea seguirá caminho semelhante ao dos veículos terrestres autônomos: adoção gradual, iniciando pela movimentação de cargas antes de chegar aos passageiros.
Com informações de WizyThec

