Uma mudança recente no aplicativo do X para iOS, voltada a aumentar o alcance de publicações com links, passou a pré-carregar páginas automaticamente e, segundo criadores e especialistas em marketing digital, está inflando artificialmente os números de visitas em sites externos.
Como funciona o novo recurso
A partir da atualização, o navegador interno do X inicia o carregamento do link assim que ele aparece na tela, antes mesmo de qualquer toque do usuário. O objetivo da empresa, de acordo com o chefe de produto Nikita Bier, é manter o post visível para que o público possa curtir ou responder enquanto o conteúdo de destino é aberto em segundo plano.
Esse mecanismo, porém, faz com que as plataformas de análise contabilizem o pré-carregamento como uma visita legítima, gerando o chamado “tráfego fantasma”. Entre os efeitos apontados estão:
- impressões registradas sem que haja navegação humana;
- taxas de cliques artificialmente elevadas;
- dados distorcidos para anunciantes e criadores de conteúdo.
Reação de criadores e plataformas
O CEO do Substack, Chris Best, relatou um pico repentino de acesso vindo do X e, após investigação, descobriu que grande parte das visitas era duplicada ou inexistente. No Bluesky, o gerente de produto Paul Frazee declarou que o recurso “arruinou” as métricas do serviço, pois os acessos em segundo plano se confundem com tráfego real.
Para o vice-presidente da SemRush, Nick Eubanks, trata-se de um “caso clássico de distorção de métricas” causado por experimentos na camada da plataforma. Ele alerta que práticas como pré-carregamento, autoplay e resumos por IA tendem a embaralhar a fronteira entre engajamento humano e atividade automatizada, exigindo maior transparência das redes sociais.
Imagem: NicoElNino
Apesar das críticas, Bier afirmou que a alteração responde a reclamações de criadores que viam queda no alcance de posts com links porque o navegador encobria a publicação original, reduzindo o número de curtidas e comentários visíveis.
A discussão sobre a credibilidade das estatísticas de tráfego segue em aberto, enquanto editores e anunciantes buscam maneiras de diferenciar visualizações genuínas de acessos automáticos gerados pelo novo sistema.
Com informações de WizyThec

