“Mergulhar” no Sol soa impossível, mas a pergunta ajuda a compreender a estrutura da estrela. Utilizando valores de temperatura e densidade reunidos pela NASA, pesquisadores simulam até que ponto seria fisicamente viável descer pela massa de plasma solar.
Primeiro obstáculo: chegar ao alvo
Antes de enfrentar o calor, seria preciso anular a velocidade orbital da Terra – cerca de 67 mil milhas por hora (aproximadamente 107 mil km/h) – que empurra o planeta quase de lado em relação ao Sol. Somente manobras de gravidade envolvendo outros corpos celestes permitiriam redirecionar uma nave em direção ao astro.
Temperaturas extremas em todas as camadas
Os números mais altos concentram-se no núcleo, onde a temperatura ultrapassa 15 milhões °C. Na fotosfera, considerada “superfície” do Sol, o valor cai para cerca de 5.500 °C. A corona, camada atmosférica externa, surpreende por voltar a esquentar e atingir por volta de 2 milhões °C.
Densidade dita o limite
No centro, a densidade alcança 150 g/cm³ – oito vezes a do ouro e 13 vezes a do chumbo. Já na corona, o material é tão rarefeito (10-16 g/cm³) que seria atravessado sem resistência.
Ao avançar, o viajante hipotético entraria na zona de convecção e, em seguida, na zona radiativa. Nesta última, a densidade varia de 20 g/cm³ na base a 0,2 g/cm³ no topo, enquanto fótons podem levar até um milhão de anos para vencer o caminho, colidindo repetidamente com as partículas.
Imagem: Michelangelus
A meio caminho da zona radiativa, a densidade se iguala à da água (cerca de 1.000 kg/m³). Nesse ponto, qualquer objeto com densidade semelhante passaria a flutuar, incapaz de continuar descendo. A partir dali, o plasma torna-se mais compacto, alcançando valores comparáveis ao ouro, inviabilizando qualquer avanço adicional.
O exercício teórico mostra que fatores de temperatura e, principalmente, de densidade transformam o interior solar em um ambiente impenetrável para formas de vida ou tecnologia conhecidas.
Com informações de WizyThec

