Um artigo publicado no Journal of Archaeological Science indica que comunidades da Idade do Ferro na atual Catalunha mantinham crânios humanos em exposição pública tanto como troféus de guerra quanto como objetos de culto aos mortos. A conclusão resulta da análise de sete peças mortais encontradas nos assentamentos de Puig Castellar, próximo ao litoral, e Ullastret, antiga capital do território dos Indiketes.
Quem, onde e quando
O trabalho é assinado pelo arqueólogo Rubén de la Fuente-Seoane, da Universidade Autônoma de Barcelona. As ossadas datam de aproximadamente 800 a.C. a 218 a.C., período marcado por instabilidade política na Península Ibérica. Os dois povoados foram fundados no século VI a.C. e abandonados entre o fim do século III e o início do II a.C., possivelmente em razão do avanço romano.
Como o estudo foi conduzido
Para identificar a origem geográfica dos indivíduos, os pesquisadores mediram proporções de isótopos de estrôncio e oxigênio no esmalte dentário. O estrôncio reflete a geologia do local onde a pessoa cresceu; o oxigênio, fatores climáticos como altitude e distância do mar.
Principais resultados
Puig Castellar: quatro crânios localizados junto às muralhas e à entrada principal passaram por análise. Três (de um adolescente e dois adultos com menos de 35 anos) eram de origem externa. O quarto, sem idade definida, pareceu pertencer a um morador local. Segundo de la Fuente-Seoane, dispor as cabeças forasteiras em pontos visíveis servia para intimidar inimigos.
Ullastret: dos três crânios fixados com pregos de ferro, dois pertenciam a adultos locais e estavam dentro de residências, possivelmente em homenagem a membros destacados da comunidade. O terceiro, de um estrangeiro, apareceu em uma vala fora das muralhas, sugerindo troféu de guerra em área menos exposta.
Contexto de violência regional
O estudo relembra o massacre de La Hoya, povoado do vale do Ebro destruído entre 350 a.C. e 200 a.C. Escavações mostram incêndio generalizado, corpos sem sepultamento e indícios de decapitações e desmembramentos, reforçando o cenário de conflitos intensos na região.
Imagem: M. Eulàlia Subirà
Repercussão
Jordi Principal, diretor do Museu de História da Catalunha, afirmou que a coexistência das duas práticas — veneração e exibição militar — surpreende e pode variar conforme o contexto sociocultural de cada tribo. Ainda assim, ressaltou, o objetivo comum era projetar poder.
A equipe pretende ampliar as análises para confirmar as hipóteses sobre rituais e rotas de origem dos indivíduos examinados.
Com informações de WizyThec

