Um estudo publicado em 5 de janeiro de 2026 na revista Nature descreve temperaturas inesperadamente altas no aglomerado de galáxias SPT2349-56, formado apenas 1,4 bilhão de anos após o Big Bang. O achado sugere que os mecanismos de aquecimento de estruturas cósmicas agiam muito mais cedo e de forma mais intensa do que se pensava.
Quem descobriu
A equipe internacional liderada pelo doutorando em astrofísica Dazhi Zhou usou o radiotelescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, para analisar o aglomerado. O sinal investigado foi o efeito Sunyaev-Zeldovich, distorção provocada por gás quente sobre a radiação cósmica de fundo.
O que foi observado
A distorção revelou que o meio gasoso entre as 30 galáxias do SPT2349-56 atinge mais de 10 milhões de kelvin, pelo menos cinco vezes acima do previsto por modelos teóricos para esse estágio do Universo.
Contexto da descoberta
O SPT2349-56 foi detectado pela primeira vez em 2010 pelo Telescópio do Polo Sul, na Antártida. Em 2018, pesquisadores confirmaram que o conjunto forma estrelas a uma taxa mil vezes maior que a Via Láctea, além de apresentar colisões frequentes entre suas galáxias.
Por que surpreende
- Teorias indicam que o aquecimento gravitacional de aglomerados tão massivos ocorreria lentamente, ao longo de bilhões de anos.
- A idade de 1,4 bilhão de anos após o Big Bang é considerada “precoce” para registrar temperaturas tão elevadas.
- Segundo Zhou, o sinal inicialmente pareceu forte demais para ser real, mas análises repetidas confirmaram os valores extremos.
Possível explicação
A principal hipótese é a presença de pelo menos três buracos negros supermassivos ativos dentro do aglomerado. Jatos energéticos provenientes desses objetos teriam contribuído para aquecer rapidamente o gás, além da ação da gravidade.
Imagem: MPIfR
Próximos passos
Os pesquisadores pretendem investigar como a formação estelar intensa, a atividade de buracos negros e o aquecimento do gás interagem em aglomerados tão antigos, a fim de compreender a origem das galáxias mais massivas observadas hoje.
O estudo reforça a importância de ambientes extremos no início do cosmos e indica que processos de feedback de buracos negros podem ter moldado grandes estruturas muito antes do estimado.
Com informações de WizyThec

