Geocientistas da Universidade de Toronto (Canadá) identificaram uma série de fissuras profundas no interior da Placa Oceânica do Pacífico, a maior estrutura tectônica do planeta. O trabalho, publicado em fevereiro de 2024 na revista Geophysical Research Letters, indica que rupturas de milhares de metros de profundidade e centenas de quilômetros de extensão não se restringem às bordas das placas, como se acreditava, mas também surgem longe das zonas de subducção.
Para chegar ao resultado, a equipe recorreu a modelos computacionais de alta complexidade combinados a dados geológicos coletados anteriormente. As áreas analisadas se estendem do Japão ao Havaí e da Nova Zelândia à Austrália.
Segundo os pesquisadores, as falhas podem ser fruto do mergulho da placa em direção ao manto terrestre. Outra possibilidade é a ligação direta com a atividade sísmica e vulcânica registrada nessas regiões.
Os cientistas comparam a placa do Pacífico a uma toalha de mesa: à medida que o “tecido” se estica, pontos mais frágeis rasgam, originando as fraturas observadas. A descoberta reforça a ideia de que as placas submersas são menos sólidas do que se estimava, o que altera a compreensão das dinâmicas tectônicas globais.
Possíveis impactos
Especialistas brasileiros veem pouca mudança imediata para a população, mas não descartam efeitos indiretos relevantes. Para Felipe Toledo, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (USP), o fenômeno ocorre em escala geológica: “Do ponto de vista humano, não veremos a formação de novos continentes; podemos sentir apenas tremores de terra ou alguma atividade vulcânica”.
Imagem: Agpotter
Já Luigi Jovane, também do Instituto de Oceanografia da USP, alerta para o potencial de tsunamis: “As rupturas estão em áreas sem habitantes ou construções, então o risco local é baixo. O problema é que elas podem gerar ondas gigantes que se propagam por todo o Pacífico”.
Os autores do estudo defendem que o mapeamento dessas falhas internas pode aperfeiçoar modelos de previsão de grandes tsunamis, ampliando a capacidade de alertar populações costeiras com antecedência.
Com informações de WizyThec

