São Paulo – A exclusividade da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, expira em março e prepara o mercado brasileiro para uma intensa disputa de preços. Com a abertura para genéricos e similares, analistas projetam reduções de 30% a 50% sobre os atuais valores, que hoje variam entre R$ 900 e R$ 3.000 por caneta.
Concorrência deve acelerar faturamento
Estimativa da UBS BB Corretora aponta que o segmento de agonistas de GLP-1 pode faturar R$ 20 bilhões em 2026, quase o dobro dos R$ 11 bilhões registrados em 2025. A projeção considera a demanda reprimida: apenas 1,1% dos adultos com sobrepeso e 2,5% dos obesos fazem uso dessas terapias no país.
Empresas correm para registrar genéricos
Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram 11 pedidos de registro para semaglutida sintética e sete para liraglutida, cuja patente caiu em novembro. No segmento biológico, há solicitações para combinações de semaglutida com insulina icodeca, além de versões isoladas das duas moléculas.
Gigantes locais como EMS, Eurofarma e Hypera anunciaram investimentos para produzir as versões mais baratas em território nacional, movimento que, segundo o Sindusfarma, deve ampliar o acesso ao tratamento ao estimular a competição de preços.
Acesso ainda limitado
Apesar da perspectiva de queda no valor, especialistas, entre eles o endocrinologista Bruno Geloneze (Unicamp), alertam que o tratamento pode continuar restrito às classes A e B. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recusou a inclusão da semaglutida por impacto fiscal estimado em R$ 7 bilhões em cinco anos. O debate, porém, poderá ser reaberto se os genéricos baratearem o produto de forma significativa.
Panorama nos setores público e privado
No Sistema Único de Saúde, a medicação não está disponível. Uma parceria entre EMS e Fiocruz busca transferir a tecnologia de produção das canetas para a rede pública. Na saúde suplementar, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal dificultam a obrigatoriedade de cobertura de fármacos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Imagem: KK Stock
Entre 2023 e 2025, o número de ações judiciais para obtenção das canetas emagrecedoras aumentou, e 67% dos processos foram movidos contra o poder público.
Profissionais de saúde ressaltam que o uso de agonistas de GLP-1 deve ser acompanhado por equipes multidisciplinares, incluindo orientação médica e nutricional, para garantir resultados duradouros na redução de peso e na prevenção de complicações como infarto e doença renal.
Com informações de WizyThec

