São Paulo, 6 de outubro de 2025 – O rover Perseverance, da NASA, identificou na borda oeste da Cratera Jezero uma formação rochosa que pode guardar pistas sobre a existência de vida antiga em Marte. A rocha, batizada de Cheyava Falls, foi encontrada em Neretva Vallis, antigo leito de rio que há bilhões de anos alimentava um vasto lago marciano.
Amostra batizada de Cânion Safira
Localizada em uma área rica em argila e lama chamada Bright Angel, a formação apresenta manchas pretas semelhantes a sementes de papoula e anéis que lembram o padrão de pele de um leopardo. Em julho de 2024, o Perseverance perfurou a rocha, coletando a 25ª amostra da missão, denominada “Cânion Safira”. O cilindro de material foi armazenado para possível envio à Terra pela campanha Mars Sample Return (MSR), projeto conduzido em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA) que enfrenta atrasos e cortes de orçamento.
Carbono orgânico e minerais de interesse
Análises in situ revelaram a presença de carbono orgânico, ferro, fósforo e enxofre, além dos minerais vivianita e greigita. Esses compostos estão associados a reações de troca de elétrons (redox) que, na Terra, sustentam processos vitais como fotossíntese e respiração celular. Em Marte, porém, não se sabe se tais reações tiveram origem biológica ou puramente química.
Reações redox raras na superfície marciana
Segundo o geocientista Joel Hurowitz, da Universidade Stony Brook (EUA) e líder do estudo publicado na revista Nature, a particularidade de Cheyava Falls é que seus minerais se formaram por redução — processo em que ferro e enxofre ganham elétrons, o oposto da oxidação generalizada que domina o solo marciano. “Mesmo que não seja biológica, essa química é nova para Marte”, afirmou o pesquisador, que atua como vice-investigador principal do instrumento PIXL, instalado no rover.
Mike Tice, geobiólogo da Universidade Texas A&M e coautor do trabalho, ressalta que reações redox em temperaturas baixas, como as do planeta vermelho, ocorrem lentamente e podem armazenar energia utilizável por organismos. “Ver esses sinais em Marte levanta a hipótese de que processos semelhantes poderiam ter sustentado a vida no passado”, explicou.
Imagem: NASA
Implicações climáticas e geológicas
A região de Bright Angel também chama atenção por ser mais oxidada e pobre em magnésio e cálcio do que áreas adjacentes, lembrando solos terrestres intensamente alterados pela chuva. Essa diferença indica possíveis variações climáticas significativas ao longo da história marciana, sugerindo que ambientes habitáveis podem ter existido mesmo diante de mudanças drásticas na atmosfera do planeta.
Próximos passos
Enquanto a equipe aguarda definições sobre a missão MSR, o Perseverance continua examinando Neretva Vallis. Cada amostra coletada é tratada como peça fundamental para reconstruir a história da água e, possivelmente, da vida em Marte.
Com informações de WizyThec

