Pesquisadores chineses divulgaram na revista Nature resultados de um ensaio clínico que avaliou o peptídeo experimental Masto, desenvolvido por uma empresa do país, apontando redução da glicemia e melhora de marcadores metabólicos em pacientes com diabetes tipo 2.
Segundo o estudo, o composto também mostrou potencial para tratar sobrepeso, obesidade e distúrbios metabólicos que afetam coração, fígado e rins — problemas especialmente frequentes na população chinesa.
Foco em características locais
A pesquisa acompanhou voluntários chineses, grupo que apresenta índices mais altos de resistência à insulina, esteatose hepática e acúmulo de gordura visceral quando comparado a europeus e norte-americanos. A obesidade abdominal foi identificada como a manifestação clínica mais comum.
“O trabalho fornece evidências científicas para o manejo de pacientes com sobrepeso, obesidade e diabetes no país”, afirmou Zhu Dalong, coautor do artigo e diretor do Centro Médico de Endocrinologia do Hospital Gulou.
Contexto de saúde pública
O diabetes é uma das quatro principais doenças crônicas na China e costuma vir acompanhado de obesidade, hipertensão e dislipidemia. Para enfrentar o cenário, o governo incluiu metas específicas no programa China Saudável (2019-2030), reforçando a necessidade de medicamentos adaptados às características metabólicas locais.
Estratégia industrial
O Masto integra um movimento mais amplo da indústria farmacêutica chinesa, que aposta em:
Imagem: phakphum patjangkata
- novos alvos terapêuticos;
- terapias celulares, como CAR-T;
- uso de inteligência artificial para acelerar pesquisa e desenvolvimento.
Dados oficiais indicam que, desde o início do 14º Plano Quinquenal, o país aprovou mais de 110 medicamentos inovadores. Até novembro de 2025, 68 fármacos originais receberam sinal verde, superando o total registrado em todo o ano anterior. Para Guo Lixin, do Hospital de Pequim, o ritmo demonstra reconhecimento internacional à pesquisa chinesa.
Os autores destacam que a análise do peptídeo Masto reforça a importância de terapias desenvolvidas de acordo com características genéticas e metabólicas de cada população, abrindo caminho para tratamentos mais precisos contra diabetes e obesidade.
Com informações de WizyThec

