Microsoft, Meta e Google estão reformulando a maneira de bancar a infraestrutura que sustenta a explosão da inteligência artificial. Neste outono, as três companhias firmaram acordos que, juntos, somam dezenas de bilhões de dólares para garantir poder computacional, mas sem concentrar todo o risco de um crescimento que pode exigir trilhões de dólares ao longo dos próximos anos.
Em vez de erguer novos centros de dados com recursos próprios, as big techs passaram a recorrer a contratos de aluguel, estruturas financeiras complexas e parcerias com empresas menores. A estratégia permite ampliar capacidade rapidamente e, ao mesmo tempo, preservar flexibilidade caso a demanda por IA desacelere.
Risco repassado
Os novos modelos de financiamento têm um ponto em comum: parte do ônus é transferida para startups de infraestrutura, fundos de crédito privado e investidores institucionais. “O risco não desaparece, apenas muda de mãos”, resume Shivaram Rajgopal, professor da Columbia Business School. Se o interesse por IA diminuir, essas empresas e seus credores podem ficar expostos.
Meta aluga megacentro de dados
Um exemplo é o projeto de data center da Meta na Louisiana. A companhia criou um veículo de propósito específico e obteve da Blue Owl Capital cerca de 80% do valor necessário para o empreendimento. Embora tenha construído a instalação, a Meta optou por alugá-la, classificando o desembolso como despesa operacional, não como dívida. “Em vez de tomar empréstimos, a Meta está alugando o risco”, afirmou um credor do setor.
Acordos da Microsoft com neoclouds
A Microsoft segue caminho semelhante: assinou contratos de três a cinco anos com provedores conhecidos como “neoclouds”, entre eles Nebius, Nscale e CoreWeave. Esses compromissos, avaliados em bilhões de dólares, garantem acesso rápido a servidores sem obrigações de longo prazo e ajudam a tranquilizar investidores avessos a grandes desembolsos de capital.
Imagem: Anggalih Prasetya
Analistas apontam que os custos elevados da IA impedem qualquer empresa de absorver sozinha todo o risco. Dividi-lo, dizem, tornou-se parte essencial da corrida tecnológica que deve definir o futuro da computação global.
Com informações de WizyThec

