Mini coração humano criado em laboratório reproduz fibrilação atrial e abre caminho para novos tratamentos

Date:

Cientistas da Universidade Estadual de Michigan (Michigan State University – MSU), nos Estados Unidos, desenvolveram um modelo tridimensional de coração humano do tamanho de uma lentilha capaz de apresentar fibrilação atrial (A-fib), arritmia que afeta cerca de 60 milhões de pessoas no mundo.

Coordenado pelo professor associado Aitor Aguirre, chefe da Divisão de Biologia do Desenvolvimento e de Células-tronco do Institute for Quantitative Health Science and Engineering, o projeto utiliza organoides cardíacos criados a partir de células-tronco humanas doadas. Essas células se diferenciam em diversos tipos celulares, formando câmaras, vasos e redes capilares semelhantes às do coração real.

Como a arritmia foi induzida

O principal avanço foi obtido pelo estudante de medicina osteopática Colin O’Hern, que inseriu macrófagos – células do sistema imunológico – nos organoides. A presença desses glóbulos brancos possibilitou induzir um quadro inflamatório; quando moléculas inflamatórias foram adicionadas, o batimento dos mini corações tornou-se irregular, reproduzindo a fibrilação atrial.

Na etapa seguinte, um medicamento anti-inflamatório foi aplicado e conseguiu restabelecer parte do ritmo normal. Segundo O’Hern, é a primeira vez que se observa, em tempo real, tecido cardíaco humano vivo reagindo dessa forma dentro de um laboratório.

Impacto para a pesquisa de novos fármacos

Há três décadas não surgem terapias inovadoras para A-fib, em grande parte pela falta de modelos que reflitam fielmente o coração humano. De acordo com Aguirre, o organoide criado pela equipe permite investigar mecanismos celulares da doença e testar compostos com mais segurança, o que pode acelerar o desenvolvimento de medicamentos eficazes e reduzir custos.

Organoides “envelhecidos”

Os pesquisadores também expuseram os mini corações a níveis prolongados de inflamação para simular o envelhecimento, produzindo versões equivalentes a corações adultos. O procedimento ajuda a compreender como fatores imunológicos contribuem para arritmias e defeitos congênitos.

Colaborações e próxima etapa

Além de Aguirre e O’Hern, o estudo contou com Christopher Contag, Nureddin Ashammakhi, Sangbum Park (MSU), Nagib Chalfoun (Corewell Health) e Chao Zhou (Washington University). Os resultados foram publicados na revista científica Cell Stem Cell. A equipe já trabalha com empresas farmacêuticas e de biotecnologia para avaliar a toxicidade cardíaca de novos compostos e, no futuro, pretende produzir modelos personalizados a partir de células de pacientes.

Com os organoides cada vez mais próximos da fisiologia humana, a MSU se consolida como referência global na área e prevê anunciar novos passos em breve.

Com informações de WizyThec

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhar postagem:

Popular

Relacionados

Projetor portátil BYINTEK U4 entra em promoção na Amazon com resolução Full HD e Android integrado

O projetor portátil BYINTEK U4 está com preço promocional...

Banco de dados expõe 149 milhões de senhas de Gmail, Instagram e gov.br

Um banco de dados sem qualquer proteção revelou 149...

Lua entra em fase Nova nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A Lua apresenta-se em fase Nova nesta quinta-feira (22),...

Receita Federal oferece iPhone 15 a partir de R$ 1,3 mil em leilão online

A Receita Federal vai leiloar 289 lotes de produtos...